O custo da transposição


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Não há muita clareza, ainda, sobre o custo efetivo da transposição das águas do Rio São Francisco. O engenheiro agrônomo Sérgio Torggler desenvolveu um modelo de avaliação, em parceria com os professores Roni Bonízio e Ricardo Feijó, da Faculdade de Economia e Administração da USP de Ribeirão Preto (FEA-RP). Energia consumida: é a energia necessária para levar a água de um lado para o outro. Nos canais haverá um recalque (diferença de altura), com a água subindo e depois caindo. Consome-se energia para elevar a água; ganha-se energia quando a água cai. O projeto é constituído de dois eixos principais. No maior, chamado Eixo Norte, as águas terão que ser transportadas até uma altura de 165 metros. Descontando os ganhos com a energia na descida, o custo equivalerá a uma altura média de 101 metros. No eixo menor, o chamado Eixo Leste, a altura do recalque será de 300 metros no canal para abastecer Pernambuco, de 500 metros no canal para abastecer a Paraíba e de 35 metros para uso agrícola no Vale do São Francisco. Não haverá recuperação energética por geração hidroelétrica. Sinergia hídrica: é a possibilidade de aproveitamento das águas dos açudes, que hoje precisam ficar de reserva, por falta de um fluxo contínuo de águas para a região. No levantamento do MIN (Ministério da Integração Nacional) se aponta um ganho arbitrário de 10 m³/segundo para todos os anos, “valor significativo que corresponde a um volume adicional de 38% do valor do bombeamento mínimo garantido”. Esse dado sofre três questionamentos. O primeiro é que o assunto é controverso e o ganho não é mensurado sequer pelos técnicos do governo. O segundo é que a transposição vai afetar a gestão de poucos açudes e perenizar somente pequenos trechos de rios. O terceiro é que a água não evaporada nos açudes perde-se para o mar. O volume que interessa, segundo os autores, é o que será consumido pelas atividades agrícolas, pecuárias e humanas. Vazão média diária: é estimada em 63 m³/s todos os anos para os dois eixos. “Neste cálculo se prevê operar por 152,9 dias à vazão máxima e por 212,1 dias à vazão mínima, bem como foram consideradas as paradas do bombeamento entre 18 e 21 horas”. Estudos de João Suassuna constataram que em apenas 25% dos anos há vazão normal (ou média) em Sobradinho, e em 75% dos anos a vazão é a mínima. Índice de investimento por capacidade produtiva: é calculado dividindo o custo total do projeto pela capacidade plurianual (no caso 39,9 m³/segundo). Pelos cálculos dos autores, no caso da transposição o custo será de R$ 150 milhões por m³/s (se não levar em conta a sinergia hídrica), ou de R$ 120 milhões, considerando a sinergia. No caso de um projeto de irrigação de grande porte nas margens do São Francisco (como o projeto Salitre no baixo Irecê na Bahia) o custo seria de apenas R$ 9,9 milhões, por m³/s, ou 12 a 15 vezes menos do que a transposição. No custo do projeto do Salitre está contemplado todo o sistema de distribuição capilar. No projeto da Transposição, apenas o investimento no ramal principal. rio MADEIRA - 1 Para Jerson Kelmann, Diretor-Geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o licenciamento das hidrelétricas do Rio Madeira não são favas contadas. Na hora de dar licença de instalação o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o Ministério Público de Rondônia criarão dificuldades, acredita ele. O MP deverá tentar alguma ação na Justiça. rio MADEIRA - 2 Kelmann contesta o consórcio Odebrecht-Furnas, quando dizem que gastaram R$ 200 milhões na avaliação do projeto, para o estudo de viabilidade. Na hipótese de não vencerem a licitação, serão ressarcidos, diz ele. Portanto, não há fundo perdido. O fato de terem bancado os estudos lhes dá uma vantagem legítima, de ter mais informações que os demais concorrentes. Esse é o ganho de quem resolve bancar os projetos. rio MADEIRA - 3 Ter como parceiro uma empresa do grupo Eletrobrás, em um setor, predominantemente chapa branca como o elétrico, é vantagem comparativa relevante. Por isso, procedem as queixas dos demais concorrentes. A idéia é deixar a Eletrobrás como noiva de quem vencer a licitação. Se a própria Odebrecht vencer, já está pronto o contrato com Furnas. Se perder, o contrato deverá prever alguma espécie de indenização. LADEIRA ABAIXO O dólar não vai parar de cair tão cedo. Na sexta fechou a R$ 1,862, menor cotação desde 11 de outubro de 2000. Se levar em conta a inflação do período, as perdas são imensamente maiores. Por não ter coragem de impor regras de entrada ao dólar, o Brasil convive hoje com um custo fiscal expressivo, representado pelas compras de dólares pelo BC, sem conseguir reduzir o ritmo de queda do dólar. JOGANDO A TOALHA As últimas declarações do Ministro da Fazenda Guido Mantega sobre crescimento e câmbio mostram que jogou a toalha. Sua afirmação de que o Banco Central não deixou o Brasil crescer para evitar uma crise de energia é duplamente ridícula. Primeiro, porque crise depende de planejamento, não de crescimento em si. Com crescimento há mais investimento, desde que planejado. Segundo porque ninguém acredita que ele acredita no que está dizendo. EMPREGOS EM ALTA Entre janeiro e junho foram criados 1 milhão de empregos formais, crescimento de 3,96% no período. O setor que mais empregou foi o de serviços, com 327.563 novos empregos (2,95% no ano). Em seguida, a indústria de transformação, com 299.509 empregos criados (aumento de 4,62%).

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