Falta de preparo para atender urgências, desinteresse, desrespeito com pacientes e até falta de materiais básicos como esparadrapos, agulhas e seringas descartáveis. Essas são algumas das muitas reclamações feitas pelo presidente da APDT (Associação dos Pacientes em Diálise e Transplantados), Fabiano de Oliveira Silva, em relação à Clínica de Hemodiálise da Santa Casa.
Fabiano, que fala em nome de dezenas de associados, diz que a clínica atende cerca de 200 pessoas sem a estrutura e o preparo adequados. Entre os episódios que mais o revoltaram estaria uma situação em que um amigo quase morreu na sua frente por falta de materiais. “Ele teve reações ao tratamento, que é muito severo e mexe com todo o organismo. Precisava de uma injeção de adrenalina, mas não tinha agulhas. Ele teve de ser levado às pressas para atendimento em outro local e quase morreu”, disse.
O atendimento de emergência da clínica é outro ponto criticado pelo presidente da APDT. De acordo com ele, as reações adversas são comuns em tratamentos de hemodiálise. “Já vi gente com vômito, dor de cabeça intensa e até entrando em coma. Lá só tem primeiros-socorros e não conta nem com ambulância. Se for o caso de morrer, até a ambulância chegar, já era”, disse Fabiano. (Os pacientes de hemodiálise têm problemas renais. Eles passam várias horas do dia ligados a uma máquina que faz o trabalho que deveria ser feito pelos rins, ou seja, filtrar o sangue e livrá-lo das impurezas).
O tratamento dispensado aos pacientes, ainda segundo Fabiano, é um dos piores aspectos da clínica. O médico responsável pelo serviço e a enfermeira-chefe seriam mal-educados. “O médico, certa vez, disse a uma senhora que o único caminho para ela seria o caixão. Esse é o respeito que eles têm conosco”.
Fabiano, que se tratou na clínica por 19 anos, pediu transferência, há uma semana, para outra clínica. Ele afirma que tentou reclamar várias vezes com a diretoria da Santa Casa, mas sem sucesso. “Quase nem falam com a gente”. O técnico de eletricidade Jésus da Costa, 38, outro que pediu transferência, concorda. “O pior de tudo é a falta de educação. Tratam a gente como um monte de lixo. Principalmente o médico responsável que não entende o sofrimento alheio”.
O OUTRO LADO
O médico citado pelos pacientes foi procurado pela reportagem, mas não foi encontrado na Clínica de Hemodiálise. O diretor-clínico da Santa Casa, Marcelo de Paula Lima, diz que as denúncias são infundadas. “A hemodiálise dá lucro e, para mim, o Fabiano está sendo manipulado com outros objetivos. O prédio está todo reformado, os equipamentos são de ponta e não falta material”, disse. “Quanto ao médico, realmente, é genioso, mas é adorado pela maioria dos pacientes. É só ir lá e perguntar para eles”.
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