O número de medicamentos fracionados - vendidos por unidades de comprimidos - mais que triplicou em um ano, conforme aponta levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), passando de 167 tipos para mais de 500. No entanto, em Franca, das 19 lojas - entre farmácias e drogarias - consultadas pelo Comércio, apenas duas, Droga Farma e Barão da Franca, comercializam esse tipo de remédio.
Os preços dos medicamentos fracionados, em sua maioria, acabam sendo os mesmos dos comprados em embalagens normais. A vantagem é o não-acúmulo de caixas de remédios velhos que sobram do tratamento.
O gerente da Farma Leve, Eurípedes José da Silva, disse que a indústria farmacêutica não se adaptou ao sistema e por isso ainda não vende em grande números os fracionados. “Se a caixa tiver 20 comprimidos, serão 20 bulas a serem inseridas e, isso, sabemos muito bem, que não acontece. Espero que esta lei auxilie os laboratórios, as farmácias e a população. Mas para isto, é preciso que o governo divulgue de forma esclarecedora as medidas que a lei exige”.
O diretor de Vigilância em Saúde da Prefeitura, Fernando Baldochi, explicou que qualquer farmácia pode comercializar os fracionados, desde que atenda às resoluções da Anvisa. A legislação exige, entre outras coisas, que os remédios sejam divididos em uma área identificada e visível para o consumidor e que cada unidade contenha uma embalagem secundária com rótulo e bula. “Quando saiu a portaria, em 2005, nenhuma farmácia se interessou em vender medicamento fracionado. Por isso, não temos o número de quantos estabelecimentos comercializam esse tipo de remédio em Franca”.
Os medicamentos que podem ser fracionados são vendidos em embalagem específica, picotados e com bulas correspondente ao número de unidades. “Não é qualquer remédio que pode ser dividido”, disse o diretor da Vigilância.
O farmacêutico responsável pela Drogaria Arte e Vida ressaltou a importância dos remédios vendidos por unidade, apesar de ter optado por não comercializar esse tipo de produto. “É necessário um controle especial e não compensa, porque falta informação para os clientes sobre este método. Mas para o tratamento de algumas doenças existem remédios que não necessitam da caixa completa. E daí entra o fracionamento, como de antibióticos, por exemplo”.
Fabrício Pedrosa, da Droga Farma (que possui laboratório e comercializa os fracionados), ressaltou que a procura é pouca e a venda não é viável. “O médico está habituado a receitar o medicamento na caixa padrão, calculando a quantidade de dias que os pacientes vão usar a medicação de acordo com a quantidade da embalagem”.
MANIPULAÇÃO
Fernando Baldochi, da Vigilância de Saúde, explicou que as farmácias de manipulação também podem fracionar os remédios. No entanto, das cinco lojas manipuladoras consultadas pelo Comércio, nenhuma vende os fracionados. “O custo para oferecer o serviço seria muito maior, porque é preciso emitir mais bulas e de um funcionário só para fracionar os medicamentos. Não seria rentável”, disse a farmacêutica da Farma Flora, Márcia da Cruz Alarcon Lima.
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