Focos de queimadas crescem 50% em relação ao ano passado


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Popular joga água para ajudar no combate a mais uma queimada em Franca.
Popular joga água para ajudar no combate a mais uma queimada em Franca.
A estiagem e a baixa umidade do ar que atingem a região de Franca provocaram aumento de 50,6% na quantidade de focos de queimadas nos últimos 40 dias. Os dados são do Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que até ontem tinha registrado 113 focos de calor, contra 75 captados no mesmo período do ano passado. Para se ter idéia do volume, seria o mesmo que dizer que, em média, a cada 11 horas ocorre uma queimada na região. Esses focos são pontos captados por satélites, normalmente associados a grandes queimadas. Raffi Sismanoglu, da área de monitoramento de queimadas do Inpe, atribui o crescimento das queimadas à ausência de chuvas e ao aumento na produção de cana-de-açúcar. “A vegetação está muito seca e como as temperaturas estão altas, as áreas ficam muito passíveis à ocorrência de queimadas. Às vezes a pessoa quer limpar uma pequena área, mas o fogo se espalha com muita facilidade e, às vezes, foge ao controle. Em todas as cidades da região, a situação é crítica”. Para o gerente regional da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) de Franca, Francisco Setti, o número é alto e pode ser percebido com facilidade dentro das cidades e também nas estradas da região. “Acredito que o número seja até maior. O satélite muitas vezes não consegue captar as queimadas menores dentro da área urbana e também registra duas queimadas como um único foco”. A avaliação de Setti procede. Em Franca, por exemplo, os bombeiros têm atendido a seis chamados por dia, mas no controle do Cptec consta apenas uma. Segundo levantamento do Centro de Previsões, dos 23 municípios da região administrativa de Franca, 16 deles apresentaram queimadas no último mês. As cidades que apresentaram maior número de focos de calor, do início de junho até ontem, foram Miguelópolis e Morro Agudo, com 15 e 14 respectivamente. No mesmo período, Batatais e Ituverava registraram sete focos e São José da Bela Vista, outras seis ocorrências. “A situação está bem complicada. Temos atendido a muitas denúncias e catalogado os responsáveis. Se a ocorrência se repete, advertimos o proprietário da área e numa terceira queimada, aplicamos uma multa”, explicou Setti. A multa para esse tipo de ocorrência pode variar de R$ 1400 a R$ 140 mil. Em Franca, a maioria das queimadas ocorre em terrenos baldios como forma da população se livrar do mato alto e da sujeira. “São várias frentes de trabalho e a queimada urbana é uma das práticas mais fáceis de ser abandonada, as demais são queimadas de cana e de outras culturas”, disse Setti.

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