O Banco Mundial (Bird), desenvolve um estudo sobre corrupção no Brasil desde 1996. Entre 1998 e 2003, por ocasião do segundo mandato de FHC e primeiro mandato de Lula, haviam constatado uma sensível melhora no país. Entretanto, o último levantamento divulgado esta semana revela que o Brasil está em nível inferior ao que estava quando iniciaram a pesquisa.
A pesquisa é feita pelo Instituto do Banco Mundial que classifica 212 países e territórios considerando o desempenho em seis itens, levando-se em conta dados fornecidos por 33 entidades internacionais. No caso do Brasil, foram ouvidas 18 entidades. Das seis categorias que são: controle de corrupção; capacidade de ser ouvido e prestação de contas; eficiência administrativa; qualidade regulatória; estado de direito; e estabilidade política e ausência de violência, o Brasil só melhorou, segundo eles, no último item, comparado ao estudo anterior.
Para o Bird o controle de corrupção é definido como ‘a medida da extensão com que o poder público é exercido para ganhos privados, incluindo tanto pequenas quanto grandes formas de corrupção, assim como o ‘seqüestro’ do Estado por elites e interesses privados’. De acordo com um dos autores do relatório, o preço da corrupção chega a 1 trilhão de dólares em todo o mundo e o 1 bilhão de pessoas que vive em extrema pobreza sofre monstruosamente o peso dessa situação. Mesmo aqueles que avaliam a corrupção no mundo não são isentos de também serem ‘avaliados’ pela opinião pública mundial. Mês passado o então presidente do Bird pediu demissão por ter protegido, durante sua gestão, a namorada que era funcionária do banco. Por conveniência e oportunidade, aliás, dois princípios da administração pública, muito se tem pesquisado, estudado, escrito, sobre tudo, menos sobre o que é o homem e do ele é capaz. A certeza científica aliada ao imediatismo humano e a falta de planejamento estratégico têm conduzido a espécie à autodestruição. A miséria, que antes nos causava piedade e que hoje só incomoda a visão, mas que um dia foi ‘profetizado’ sua extinção na medida em que a ciência avançasse, teima em permanecer. Afinal, a maior aptidão do capitalismo é produzir miséria. Miséria em todos os sentidos, e a miséria moral é a pior delas. Só no Brasil, o custo das canetadas e telefonemas dos corruptos produz uma modalidade de miséria altamente contagiosa, a miséria violenta. Nos morros, na Fundação Casa (Febem), nas penitenciárias, presídios, nas ruas, nos muros das grandes cidades estão inscritos todos os atos cotidianos dos efeitos da corrupção. No atual estágio civilizatório pouco se pode fazer para reverter o panorama, mesmo porque a maioria não está querendo ampliar os horizontes e nem acredita que tem poder para tanto. Contudo, nas ‘águas profundas’ da consciência humana existem importantes indícios que levam a crer numa mudança de paradigma civilizacional. No planeta não habitam somente os dirigentes. Existem também os dirigidos que ainda pensam e não se resignam com o que a realidade insiste em demonstrar. Há fortes motivos que revelam uma preocupação em redirecionar a situação. No Congresso Nacional, alguém mais preocupado com a atual e degradada estrutura do Poder, já pensa em alterar o sistema de governo de Presidencialismo para Parlamentarismo visando frenar a aceleração do jogo de interesses e do favoritismo político que perpassa as esferas do atual sistema. Não há nenhuma maneira de mudar a consciência do eleitor se não se mudar antes a sua cultura política. Todas as mudanças começam pela consciência. Um dia o povo se cansará da espoliação a que esteve exposto por tanto tempo e irá acordar e agir.
NADIR A. CABRAL BERNARDINO é advogada, formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.