Imagine uma paciente com distúrbios psiquiátricos ter de esperar três meses para passar por uma avaliação especializada. Para piorar, imagine a mesma paciente com duas recomendações médicas para internação e avaliação e quadro definido como urgente. Pois tal situação vem acometendo a sapateira ALS, 27, moradora no Jardim Aeroporto III, nos últimos meses.
ALS levava uma vida normal até meses atrás, quando começou a apresentar distúrbios de sono e comportamento. Seus principais sintomas eram inquietude e delírios. Seus familiares, preocupados, conduziram-na até a UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro onde moram. O clínico indicou que ela fosse consultada urgentemente no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) da Prefeitura. No local, porém, marcaram a avaliação para 14 de setembro. Tudo isso ocorreu em junho. “A moça demonstrou não estar nem aí para a situação”, disse a dona de casa Maria Neuza, irmã de ALS.
Como a sapateira não melhorou com os remédios indicados pelo clínico, a irmã, Maria Neuza, sem condições de bancar um tratamento, levou a paciente ao PS “Dr Janjão”. O diagnóstico do médico emergencialista foi a internação na Santa Casa para exames de avaliação e indicação de novos medicamentos. Aí, foi a vez do hospital pisar na bola. “Estamos aqui há várias horas esperando a resposta do tal do fax e até agora nada. As pessoas não sabem o que é sentir na pele esse problema que vivemos”, disse Neuza.
ALS, nervosa, afirmou que não quer saber quem a ajudará, mas ressaltou a necessidade de um tratamento imediato. “Não sei se é a Prefeitura ou a Santa Casa. Só quero que me atendam direito”, disse.
A reportagem se dirigiu ao Caps, mas já estava fechado, assim como a Secretaria de Saúde. Na Santa Casa, o diretor-clínico Marcelo de Paula Lima disse que não conhecia ainda o caso, mas que “tomaria providências para o imediato atendimento” de ALS.
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