Como se não bastasse a onda de violência que atinge Franca e causa medo toda a sociedade, um fato novo prejudicou ainda mais o andamento da segurança pública local. Policiais civis da cidade e região aderiram à chamada “paralisação de 24 horas”, em protesto ao aumento salarial de 23,43% oferecido pelo governo do Estado São Paulo - em campanha, os policiais reivindicam uma reposição de 48%. Apesar de ter prometido punir severamente os policiais que cruzassem os braços, o delegado seccional Mauri de Camargo Segui informou desconhecer qualquer tipo de movimento grevista da Polícia Civil de Franca, embora nas delegacias a situação fosse outra. As cinco unidades de Franca registraram um total de apenas 9 ocorrências ontem - ante a média de 20 diárias por distrito.
Quem precisou da polícia para registrar ocorrências de menor vulto nas delegacias pôde constatar uma espécie de “greve branca”. As portas estavam abertas e os funcionários em seus postos, porém de braços cruzados. A chamada “Operação Padrão” só não atingiu a DDM (Delegacia de Defesa de Mulher), que registrou cinco ocorrências, mas mesmo assim caracterizou uma pequena adesão. Em dias normais, são mais de 15 ocorrências registradas.
Nos demais distritos policias, outros quatro boletins foram registrados. Para o delegado seccional Mauri de Camargo, o estado de greve não atingiu a sua jurisdição. “Eu mandei verificar se as delegacias estavam abertas e elas estavam. A minha função é cuidar para que as unidades estejam atendendo a população. Não recebi nenhuma reclamação até o momento”, disse Segui.
Ao contrário do que afirmou o delegado, a reportagem do Comércio percorreu todos os cinco distritos e as três delegacias especializadas e verificou um quadro diferente: as pessoas que procuravam as unidades para registrar uma ocorrência eram orientadas a retornar na sexta-feira (hoje). Apenas os casos mais graves como roubos e flagrantes foram atendidos.
Segui não tinha informações das ocorrências registradas no dia. “Tomei conhecimento do baixo número de BOs registrados por vocês, do Comércio. Pedi para que cada distrito me mandasse o relatório e só poderei falar algo de concreto amanhã (hoje)”, disse.
APOIO DA PM
Apesar do Comando da Polícia Militar não confirmar o apoio dos soldados à paralisação da Polícia Civil, nenhuma ocorrência atendida pela PM foi apresentada nas delegacias, salvo o roubo a um mototaxista.
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