Antigamente, o amor era eterno. Depois, vieram as relações abertas e o divórcio. Hoje, os jovens simplesmente ‘ficam’. Nos últimos 50 anos, muita coisa mudou na vida dos casais. A paquera, o namoro e o sexo acompanharam os sonhos e os valores de cada geração. A vida era bem difícil para um adolescente dos anos 50.
Para conhecer melhor aquela menina bonita da escola, precisava torcer para que ela aceitasse o convite para a matinê de cinema.
Depois, tinha que conseguir a autorização dos pais. Tudo isso para conseguir segurar na mão. Sexo, nem pensar. Era preciso amargar um longo namoro no sofá e muito tempo depois arriscar um pedido formal de casamento.
Nascer nos anos 50 ou 60 foi barra. Uma geração foi feita para romper com a anterior, mas essa atual chegou ao mundo para mudar todos os conceitos de várias gerações. Faz apenas 50 anos que apareceram a televisão, o chuveiro elétrico, a declaração dos direitos humanos e a revista Playboy. Casar era pra sempre, sustentar filhos era até quando eles conseguissem emprego, as certezas duravam a vida toda e os homens eram os primeiros a serem servidos na sala de jantar. As avós eram umas velhinhas e hoje, uma mulher de 40 ou 50 anos é um mulherão. Todos nós nos vestimos como nossos filhos.
Não existem mais velhos como antigamente. Essa foi uma geração que mudou tudo. Culpa da pílula, dos Beatles, da Internet, da globalização, do Muro de Berlim, da televisão, da tecnologia, do Viagra.
Até morrer ficou diferente. Com a pílula, a mulher teve os filhos que quis e ela sempre quer poucos. Como não conseguimos mais sustentar uma família, elas foram à luta e saíram para poder pagar a comida congelada, a luz e o telefone. Se a coisa não vai bem: é fácil a separação. Difícil é pagar a pensão. As pessoas de mais de 50 anos aprenderam a tapa e na rapidez a assimilar todas as mudanças do mundo. Os filhos, por falta de emprego, não têm mais anseios de ir embora. Ficam morando eternamente e com os controles remotos da TV, do DVD, do ar-condicionado na mão. Afinal, quem detém o poder do controle remoto manda na casa. São eles.
Para as pessoas de mais de 50 anos, palhaço era o Carequinha e o Arrelia. Hoje, o povo inteiro é meio palhaço, meio pateta.
Ladrão era saída de emergência. Hoje, os ladrões tomaram conta dos palácios, da Câmara e de uma cidade que não existia, chamada Brasília. Ângela dançarina, só na zona.
Naqueles tempos, frango jamais ficava gripado, presidente era alfabetizado, experiência com feijão e algodão germinando a gente fazia na escola, e não em vôo espacial. Movimento social era reunião dançante, dia da mentira não era data nacional; piercing, quem usava era índio botocudo; mansão do lago era nome de filme de terror e não lugar onde se divide dinheiro.
Quadrilha era dança e não razão de existir de partido político.
Operário era padrão e não rimava com ladrão. Ninguém tinha um esqueleto no armário nem dava tiro no pé. Pizza comia-se em casa e era bem alta, com molho de tomate e sardinha. Hoje, entregam uma toda semana no Congresso do Planalto.
Fui escrevendo. Ao reler, tive um grande aperto no coração, pois tudo isso era verdade! Agora, nossa realidade está de fazer vergonha! E o pior, será que alguém sabe o que é ‘vergonha’?
REFÉNS 24 HORAS
Portas e janelas trancadas. Alarmes, cães ferozes e cadeados. Essa é a situação que centenas de francanos vivem. São reféns da insegurança em suas próprias residências, local de trabalho e até mesmo na rua. Todos os meses, dezenas de famílias são vítimas de roubo ou furto em suas próprias casas. No trabalho, diariamente, acompanhamos ocorrências policiais registradas. Na rua é bom nem carregar nada, senão lá se vai a bolsa, a carteira, o celular, os documentos ou dinheiro, isso quando não levam até as roupas que as pessoas estão vestindo. Os veículos podem ter alarme, trava e sabe mais o quê, nada resolve. Quando não levam o carro, quebram o vidro, destroem a porta, furtam o aparelho de CD. Nem a conta no banco está segura, quantas são as vítimas de golpes pela internet. A situação hoje é assim, por mais cuidado que se tenha, de uma forma ou outra, ficamos reféns da insegurança, isso quando não acabamos sendo mais uma vítima dela.
POSITIVO
Os Correios anunciaram uma campanha para ajudar a localizar crianças desaparecidas. Até o fim do mês, os envelopes de telegramas terão duas fotos de crianças e adolescentes que sumiram na região da entrega da correspondência ou em outra parte do País. Bela iniciativa!
NEGATIVO
O que muitos percebiam nas idas semanais aos supermercados de Franca agora está se confirmando, há produtos que subiram mais de 60% nos últimos dois meses. O leite e a carne são o exemplo mais visível desta silenciosa alta, que pegou de surpresa aqueles que estão acostumados, há anos, a saber, na ponta da língua, quanto custa a maioria dos produtos alimentícios. O fato é que o leite longa-vida, hoje com 80% da preferência, está com preços em torno de R$ 2,10, contra R$ 1,30 há 60 dias.
MIMO AO SENADO
Um grupo de pequenos empresários resolveu fazer um protesto inusitado em Sorocaba: ‘instalou’ um míssil falso apontado para Brasília no alto de um guindaste. O aparato é a réplica de um míssil de 6,5 metros de comprimento, 1,2 metros de diâmetro e pesa 700 quilos. A idéia é fazer com que o ‘míssil’ passe de cidade em cidade até chegar a Brasília. O míssel tem uma faixa com os dizeres ‘o povo de Sorocaba manda um pequeno mimo ao Congresso e ao Senado’. Batizado de ‘Fura Blindagem’, o objeto - que é um protesto contra os escândalos que envolvem senadores e deputados federais - possui um par de chifres, ‘em homenagem aos bois do Renan Calheiros’, de acordo com o construtor do ‘míssil’, o funileiro Jean Carlos Nunes, de 37 anos.
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