A Igreja como instrumento social


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A Igreja, que já foi Estado e ainda assim se conserva em alguns pontos do planeta, é uma força indiscutível. Por mais que os incrédulos queiram minimizar sua importância, é flagrante a influência que a religião seja qual for exerce sobre os seus seguidores. Ainda hoje, com toda modernidade, muitos dão a própria vida em troca dos objetivos traçados sob os ditames da fé. Os extremados homens-bomba do Oriente Médio, os suicídios coletivos e episódios análogos das últimas décadas são exemplos. A fé é a grande alavanca que pode ser manejada da forma que melhor convier ao grupo que a professa. Quando falirem todas as tentativas de encaminhamento de uma questão, ainda restará a esperança de solução pela via atemporal. Esse componente, quando utilizado de forma construtiva, acaba produzindo o efeito de “remover montanhas”. Provas são os chamados milagres relatados ao redor de todo o mundo. Independente de sua origem, explicação técnica ou científica, eles existem aos milhares. O brasileiro é afeito à fé. Além dos segmentos religiosos tradicionais, o país assim como boa parte do mundo vê novas igrejas, seitas e denominações surgirem diariamente, com diferentes matizes e fundamentos. E isso faz bem à população, que as aceita e delas participa. Muitos indivíduos só mantêm o equilíbrio social e moral e a própria família porque participam de atividades religiosas. Só isso já bastaria para justificar sua existência. Mas as igrejas fazem muito mais ao pregar o respeito entre as pessoas, boas regras de convivência e ao realizarem o trabalho de recuperação dos que já enveredaram para as drogas, o crime e os maus costumes. Nas duas vertentes dessa atuação, igrejas e membros, de um lado evitam que uns caiam na criminalidade e, na outra ponta, resgatam os que já caíram. Esse é um trabalho que deve ser incentivado e ampliado Pregar a volta do Estado atrelado à religião é retrocesso. Mas não seria demais se o próprio Governo e a Sociedade incentivassem a prática religiosa sem, no entanto, se imiscuírem na escolha da religião, que deve ser o mais livre possível. O ensino religioso nas escolas poderia atuar como eficiente ferramenta para auxiliar os pais e a própria comunidade a estabelecerem limites e encaminhamento ético aos jovens, muitos deles desorientados em razão da correria da vida moderna. Essa atividade fé somada à orientação social proporciona sensação de bem-estar, alegria e interatividade, diminuindo os arroubos e a agressividade comuns da adolescência, com grandes vantagens para todos. Principalmente jovens, com bom acompanhamento têm os requisitos básicos para um bom encaminhamento social e até profissional. Com sua vasta organização, a comunidade religiosa constitui-se num invejável instrumento de ação social. Além da prática da fé que pode ser atividade particular, de cada indivíduo -, essa estrutura tem muito a oferecer à Sociedade, especialmente no quadro social caótico em que vivemos. Utilizá-la ou não pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso... TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (APOMI)

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