O placar foi apertado, mas evidenciou mais uma vez que o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) tem a Câmara nas mãos. Mesmo quando a questão envolve um projeto de lei que contenha, segundo a oposição, irregularidades. Com dez votos, mínimo necessário para aprovação, o tucano obteve autorização do Legislativo para transferir a construção de uma creche licitada para o Jardim Paulistano para o Jardim Panorama.
Dois fatores, nitidamente, influenciaram no resultado: a presença de dezenas de moradores do Panorama e a articulação dos assessores de Rocha, que conversaram individualmente com a maioria dos vereadores, negociando apoio na votação. No momento em que foram chamados a votar, um dos auxiliares de Rocha chegou a dar tapinhas nas costas dos vereadores e dizer: “Vote sim, hein? Vamos votar sim”. A “oposição de dois”, assim batizada pelo prefeito e formada pelos petistas Gilson Pelizaro e Silas Cuba, até que tentou barrar o projeto, mas fracassou.
Pelizaro chegou a apresentar um substitutivo, que propunha a construção de duas creches, uma para o Paulistano e outra para o Panorama, mas somente quatro parlamentares, contando ele, aceitaram a idéia. “Tentei ajudar o prefeito a consertar o que estava errado, mas os demais vereadores rejeitaram. Agora, é bom que saibam: irregularidade pode ser sanada, ilegalidade jamais”, disse. “Até o Jurídico da Prefeitura apontou que a mudança, sem licitação, é ilegal”.
As surpresas ficaram por conta de Marcelo Caleiro (PMDB) e Graciela Ambrósio (PDT). Com a ausência de Marcelo Valim (PSDB), que representava a Câmara na Francal, em São Paulo, Rocha contava com os votos dos dois delegados de polícia. Mas ambos votaram contra, sob a mesma justificativa: receio de enfrentar problemas com a Justiça. “Não sou contra creche alguma, jamais.
Mas a forma com que o Executivo apresentou esse projeto não está de acordo com o que a lei determina e eu não poderia concordar”, disse Caleiro. O vereador se referre ao fato da obra da nova creche já ter sido iniciada sem a autorização prévia do Legislativo para alteração no orçamento nem licitação específica, o que contraria a Lei de Licitações. A “oposição de dois”, tentou provar que o projeto é ilegal e representou contra o prefeito no Ministério Público e no TCE (Tribunal de Contas do Estado) e aguarda definição.
ESPORTES
O restante da pauta foi morno, à exceção de um projeto que entrou em regime de urgência e tratava da liberação de verbas superiores a R$ 797 mil para o esporte.
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