O preço do leite longa-vida tem assustado os consumidores nas últimas semanas. Com a média de um aumento por semana, em três meses, o leite acumulou um reajuste de até 64,6% e chegou ao patamar mais alto desde o começo do ano. Atualmente, um litro de leite de caixinha da marca Líder, por exemplo, custa R$ 2,14. Um crescimento de R$ 0,84 se comparado ao preço praticado em abril.
Para a ABLV (Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida), quatro fatores têm contribuído para esse aumento: a diminuição acelerada dos estoques; a redução na captação de leite no mercado interno, motivada pela seca; o avanço da cana nas áreas de pastagens do gado leiteiro e a quebra na produção de países como Austrália e Nova Zelândia, considerados grandes produtores de leite. Esse último fator, alavancou as exportações do leite em pó brasileiro, reduzindo oferta e colaborando para a alta do preço.
Laércio Barbosa, vice-presidente da ABLV e diretor comercial da Jussara, diz que a ocorrência de todos esses fatores ainda coincide com a maior demanda pelo produto no inverno, estação em que o consumo de leite aumenta, devido à baixa temperatura. “Não é surpresa se o litro do leite longa vida romper a barreira dos R$ 2 para o consumidor. O ano é completamente atípico. A procura pelo produto é intensa e as empresas sentem dificuldades em atender aos pedidos”.
De acordo com Júlio César Zanetti, proprietário do Laticínios Zanetti, o aumento também foi necessário porque trouxe a recuperação no valor pago ao produtor. “Os produtores estavam desanimados. Não era mais interessante trabalhar com pecuária leiteira e, sim, com a cana, que é mais rentável. Há 12 anos, estávamos com os preços abaixo do ideal”, explicou.
Quem sofre com os reajustes é o consumidor, que não agüenta mais tantos aumentos. “Boleira” há 35 anos, Alberice Garcia, 59, mais conhecida como Nina, sente a diferença do preço no bolso. Com um consumo semanal médio de 30 litros de leite para a preparação de bolos, doces e tortas, Nina tem gasto R$ 15 a mais na compra da mesma quantidade de produto. “Pagava no máximo R$ 1 pelo litro há pouco tempo. Hoje, quando encontro um leite mais barato, ele custa no mínimo R$ 1,50. Não tem compensado”.
Ilza Rodrigues Coelho, da Padaria Estrela, reconhece que a reclamação é generalizada, mas não interfere na venda do produto, independente do preço praticado. “O consumo continua o mesmo. O leite é um tipo de produto que não há como substituir”.
O Comércio entrou em contato com 17 supermercados em todos os pontos da cidade para fazer um levantamento informal de preços.
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