Apesar de medo, famílias resistem à desapropriação


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Mesmo amedrontados com a possibilidade de desmoronamento das casas e já praticamente sem vizinhos, algumas famílias ainda resistem à idéia de deixarem suas casas na Rua Presidente Venceslau Braz, no Dermínio. Além do apego ao local,à história do imóvel e de, em alguns casos, décadas de vida no bairro, alguns querem ver resolvidas outras pendências antes de aceitarem a mudança. No número 491 moram três famílias, 15 pessoas em três pequenas casas construídas no mesmo terreno. Uma das moradoras, Sirlei Ferreira Prado, disse que a propriedade é do pai que morreu e o inventário está em processo. “Enquanto o documento não ficar pronto, a gente não pode sair. Não dá para abandonar tudo aqui. Já começamos a procurar casa mas não é fácil”. Sirlei mora no Jardim Dermínio há mais de 22 anos. Há três, rachaduras nas paredes e estalos pela casa passaram a assustá-la e a sua família. “O barulho que faz dá muito medo e quando chove é pior. Tivemos que colocar plástico nas rachaduras que se abriram entre as paredes”. Júlio César da Silva também tem preocupação de sobra. Sua casa está comprometida, mas o seguro não quer cobrir a troca de imóveis. “Estou entrando com recurso. Além disso, essa casa é financiada. Não tenho condições sair daqui e pagar aluguel e mais o financiamento”, disse ele, que não entrou num acordo de valor para a desapropriação. Ele, que mora com a esposa e um filho, disse que quando construiu a casa não imaginou que teria problemas do tipo. “No começo do ano funcionários da prefeitura vieram aqui e me falaram que a casa corria risco de desmoronar. Não imaginei que as rachaduras fossem sinais disso”.

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