Começa hoje a 39ª edição da Francal, no Anhembi, em São Paulo, com a participação de 76 calçadistas da cidade (62 mostram seus produtos em espaço individual e 14 no estande coletivo). Sempre se espera que a feira resulte em pedidos avolumados do varejo e tem-se agora uma expectativa ainda maior, diante do primeiro semestre ruim para o setor.
A Francal executa três funções relevantes: gerar negócios, promover marcas e indicar aos expositores os lançamentos mais vendáveis, para a temporada primavera-verão, entre os vários modelos novos que apresentam. Ao atrair milhares de comerciantes, de todas as regiões do País, ela possibilita ainda fazer projeção sobre o comportamento do mercado interno, se tende a melhorar ou piorar.
Calçados femininos invariavelmente têm melhores vendas na feira.
O varejista compra mais as novidades dessa linha porque em meados de agosto já pode começar o calor e precisa ter as coleções de verão até início de setembro. Decide as encomendas na visita aos estandes. Não tem a mesma urgência pelos lançamentos de sapato masculino: compra pequena quantidade das criações que mais lhe chamam a atenção, para testá-las, e a partir de setembro amplia ou não o volume.
Para o fabricante de sapato masculino, o ganho imediato na feira é poder definir a nova coleção com o menor risco de perda nos investimentos. Seleciona os modelos que têm maior aceitação pelos lojistas e assim evita os prejuízos que teria se comprasse matrizes, fôrmas e outras ferramentas de custo elevado para produzir lançamentos que seriam rejeitados.
O grande teste das novidades é feito na feira. Em quatro dias se chega a conclusões que demandariam meses, se o fabricante tivesse de visitar cada um de seus clientes para fazer essa pesquisa. É o que afirma Luiz Faleiros, experiente estilista em calçados masculinos. Ele acrescenta ter o lojista o mesmo favorecimento, “ao conhecer todas as tendências da temporada e quais os pontos fortes delas.”
Do começo ao seu término, a moda em sapato masculino dura quase uma década. Exemplo: o bico quadrado. O emergente bico redondo médio ou largo deve atingir esse período. Na avaliação de Faleiros, por ser um calçado que demora para entrar e sair da passarela, não ter a mesma dinâmica da moda feminina, o impulso nas vendas do sapato de homem depende menos da mudança das estações e mais das datas comemorativas (Dia dos Pais, dos Namorados, Natal, aniversários etc.).
Decorre daí o fato de não haver vendas imediatas, em grandes volumes, para a maioria dos fabricantes desse segmento que expõem seus lançamentos tanto na Francal, em julho, quanto na Couromoda, em janeiro, para as temporadas de verão e de inverno.
Avalanches de encomendas ocorreram na época de inflação galopante. Durante o período em que são realizadas as duas feiras, o fabricante de sapato masculino beneficia-se mais das outras funções que elas desempenham excetuando-se os que fecham negócios consideráveis por alguma particularidade.
A INCÓGNITA
Nos últimos seis anos, aproximadamente, as oportunidades para exportação que aparecem na Francal estavam contentando mais o expositor de sapato masculino, na média geral, do que as suas vendas para o mercado interno. Aumentava a presença de importadores de vários países, especialmente da América Latina.
Se esses negócios permanecerão satisfatórios, diante da problemática causada pela defasagem cambial, é a grande incógnita nesta 39ª edição da feira.
MUDANÇA
Não se sabe exatamente quantas indústrias em Franca passaram a produzir calçado feminino, no lugar do masculino (parcial ou totalmente), mas se pode afirmar com segurança que elas crescem em progressão quase geométrica. O sindicato da classe estima que do total de 25,5 milhões de pares fabricados anualmente na cidade 14% já são para mulheres. Era uma porcentagem irrisória sete anos atrás. Também aumentou o número de empresas que produzem sapato barato, em relação às que agregam maior valor aos seus produtos.
LANÇAMENTO
A Cartilha do Calçado será lançada hoje na Francal, às 20 horas.
Editada pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçados e Artefatos (IBTeC), a publicação tem por finalidade ampliar o conhecimento técnico dos vendedores de lojas, para que orientem os consumidores sobre a qualidade dos produtos. O material já vinha sendo utilizado em treinamentos preliminares desses profissionais, o seu conteúdo foi ampliado e hoje será apresentado oficialmente.
Constam da cartilha informações sobre a construção do calçado, materiais utilizados que garantem conforto e qualidade aos produtos, cuidados com os pés, como experimentar e escolher um calçado etc.
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