A dona de casa Ângela Aparecida Mendes, 38, perdeu todos os dedos da mão direita num acidente de trabalho em 1994. Ela tem três filhos de 6, 9 e 11 anos e mora com os dois menores em dois cômodos emprestados nos fundos da casa da irmã, no Jardim Aviação. A filha mais velha vive com a avó materna. Ângela diz ter dificuldades para trabalhar com o braço esquerdo e que depende de ajuda para sobreviver. Em abril deste ano, ganhou nova preocupação: recebeu alta do INSS e não receberá mais o benefício do governo.
A notícia deixou Ângela desesperada. Ontem, ela contou sua história na rádio Difusora e ao jornal Comércio da Franca. “Estou muito preocupada. Não tenho condições físicas nem psicológicas de trabalhar. Já até tentei fazer uma besteira e acabar com minha vida”, disse.
A vontade dela é se aposentar. “Preciso conseguir minha aposentadoria. Acho que tenho esse direito. Tenho vontade de trabalhar, o que seria muito bom, pois não ficaria pensando coisas ruins, mas quem vai querer dar emprego para uma mulher de 38 anos e sem a mão direita?”. Ângela é divorciada e vive com R$ 95 do Bolsa Família e R$ 248 do INSS. Desde abril, não recebe o benefício do governo. “Estou vivendo com doações. Peço roupas usadas para as pessoas e vendo”. Ontem, após contar seu drama no programa Hora do Cacete na rádio Difusora, ganhou alimentos da comunidade.
Consultada sobre o caso de Ângela, Célia Visconde, chefe INSS de Franca, orientou a segurada a procurar a agência novamente para reagendar a consulta médica. “O perito poderá analisar novamente a (in)capacidade para o trabalho dela e, se for o caso, prorrogar o benefício ou reconsiderar a alta. Caso ela ainda tenha problemas, poderá entrar com recurso”, disse Célia.
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