Com a fraude na licitação do Córrego dos Bagres ainda fresca na memória, o francano já tem de conviver com outro escândalo envolvendo uma liderança política da cidade. Desta vez, o implicado é o deputado estadual Roberto Engler (PSDB), que recebeu doações para sua campanha, em 2004, da LBR Engenharia, empresa suspeita de fraudar a cons-trução de casas populares da CDHU (Companhia de Desenvol-vimento Habitacional e Urbano).
O valor, R$ 189,6 mil, também foi destinado a outro deputado tucano, Mauro Bragato, cuja base eleitoral é Presidente Prudente. A associação com a LBR poderá levar Engler a ser investigado pelo Conselho de Ética da Assembléia Legislativa, do qual ele faz parte.
Engler confirmou o recebimento das doações e afirmou que as relações com o proprietário da LBR, Orlando Bueno Ribeiro - que seria francano - é antiga e vai além do âmbito político: eles seriam, inclusive, amigos de infância. “Eu recebi doações dele sim, assim como recebi de outras pessoas. Está tudo nos demonstrativos na Justiça Eleitoral. Qualquer candidato faz isso. As campanhas são feitas com doações”, disse.
O problema, porém, estaria na origem suspeita do dinheiro. A LBR, junto com outra empresa de engenharia, a Tejofran, é investigada pelo Ministério Público por uma suposta fraude contra o go-verno estadual. As empresas avaliavam - e aprovavam-, o material de construção comprado por uma terceira construtora, a FT, que teria preços superfaturados e baixa qualidade. Todas prestavam serviço contratadas pela CDHU.
As contribuições do consórcio LBR e Tejofran para candidatos tucanos não são novas. Nas últimas três eleições, foram agraciados, entre outros, o ex-governador Geraldo Alckimin e candidatos de outros partidos, como PDT e PT. Além disso, o dono da Tejofran, Antônio Dias Felipe, é consultor da Fundação Mário Covas, ex-governador tucano, morto em 2001.
NA TORCIDA
Com a coisa pegando fogo para o lado de seu “amigo de infância”, Engler só quer saber de se resguardar. Disse estar torcendo por Orlando, mas deixou claro que ficará observando a distância o desenrolar da história. “Vou aguardar o julgamento e torcer para que não tenha nada que nos comprometa”.
Orlando foi procurado, mas quem atendeu foi seu filho, Mar-celo, que disse ter tentado localizar o pai. O rapaz disse que o pai estava viajando e que, ainda ontem, retornaria as ligações, o que não aconteceu.
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