A sorte está lançada e os calçadistas de Franca começam a apostar suas fichas em mais uma edição da Francal. Para uns, a feira é uma expectativa de espantar a crise e fechar negócios para o segundo semestre. Outros acreditam que é hora de reforçar os contatos e manter a marca forte no mercado.
A desvalorização do real frente ao dólar e a acirrada concorrência com a China não desanimam os calçadistas que estão indo para a Francal “armados” com novas coleções e planos para negociar, especialmente com o mercado interno, que deve dar o tom à Francal neste ano.
Na análise do economista internacional e professor da USP (Universidade de São Paulo) Simão Davi Silber, o mercado interno vai dar as cartas e crescer como o gigante que assusta o setor. “Estamos em um período em que o mercado interno é mais vantajoso. As vendas a varejo no Brasil no último ano estão crescendo em ritmo chinês”.
Jorge Félix Donadelli, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Franca), concorda com o aquecimento do mercado interno, embora adote um tom mais cauteloso. “Apesar das dificuldades do setor, o mercado interno está com ligeiro crescimento e com isso ele poderá comprar melhor este ano”.
Motivo não falta para as boas expectativas. A feira é a porta do segundo semestre, tanto no calendário como na expectativa de negócios - período natural de aquecimento no setor em decorrência dos pedidos de fim de ano. “Apesar do ligeiro aquecimento, os lojistas compraram receosamente no primeiro semestre e, acredito, deverão repor os estoques”, disse Donadelli.
Para atender aos lojistas, as empresas de Franca levam para a Francal criações inéditas da coleção primavera-verão.
A Mazuque Shoes é uma delas. Paulo César Pereira Costa, 37, diretor da empresa, diz que a marca vai expor pelo quarto ao no estande coletivo da Franca Shoes. O empresário leva para a feira 120 modelos entre lançamentos e demonstrativos do calçado que já produz. Para ele a Francal poderá ser um divisor de águas. “Apesar da crise que estamos enfrentando devido à baixa cotação do dólar, minha expectativa é de que a Francal possa alavancar o setor”.
Para quem não exporta o importante da feira é manter os contatos. Lázaro Ferreira Paulo, proprietário da Euro Sport, também expõe no estande coletivo, mas não está preocupado com a crise, que, segundo ele, não atingiu sua empresa que produz 25 mil pares por mês. “Tenho mantido bem a produção. O problema do setor ainda não chegou em mim porque trabalho com materiais baratos que têm ganhado o espaço do couro”. Lázaro aposta em oito modelos novos para atrair os olha-res dos compradores.
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