A cada 28 dias, um novo bairro é criado em Franca. São conjuntos habitacionais, condomínios fechados, loteamentos de chácaras e edifícios de apartamentos que começam a dar uma nova cara para a capital do calçado masculino, que, aos poucos, está deixando seu ar interiorano e ganhando ares de uma grande cidade. O levantamento é da Secretaria Municipal de Urbanismo e mostra que nos últimos doze meses, 13 novos loteamentos surgiram no município.
A maioria nasce com infra-estrutura completa e nos pontos extremos da cidade. A região preferida é a zona oeste, onde foram implantados o Jardim Pulicano, os Residenciais Júlio D’Elia, Palermo, Peres Elias, Meirelles e o Prolongamento do Parque das Esmeraldas. Do lado oposto, há ainda o Parque Moema, Residencial Vila Tótoli, Residencial Franca Pólo e Residencial Piratininga, esses direcionados à classe média.
Alguns estão habitáveis. Outros caminham para conclusão, com a abertura de ruas e a construção de galerias. Pelo relatório apresentado, o maior “boom” de loteamentos ocorreu na última década, quando a cidade ganhou quase um terço dos 241 bairros existentes atualmente.
Para Valéria Marson, secretária de Urbanismo, essa é uma tendência natural, motivada pela demanda populacional e pelo ditado popular “quem casa, quer casa”. “Franca passou por uma retomada econômica a partir de 2000 e isso atraiu muitos migrantes. Ela ficou estendida, horizontal e com baixas densidades de ocupação”, explicou Valéria.
O vice-prefeito e coordenador do Neplaf (Núcleo de Estudos e Planejamento de Franca), Ary Balieiro, vê com bons olhos a expansão, mas teme o favelamento da cidade e se preocupa com o fornecimento de serviços públicos. “A proliferação é boa porque popularizou o preço do lote, porém o Neplaf surgiu pela necessidade de planejar e estruturar Franca para o futuro. A cidade cresce e nós precisamos pensar no trânsito, no transporte, no fornecimento de água e energia, nos serviços de saúde, nas escolas e na segurança”.
De acordo com Balieiro, a atual legislação exige que os novos loteamentos só podem ser entregues com toda a infra-estrutura pronta, no intuito de tornar menos oneroso para o poder público.
Professora e doutora em Meio Ambiente, Arquitetura e Urbanismo, Ruth Montanheiro Paulino diz que crescer é inevitável e, nesse crescimento, a qualidade de vida precisa ser priorizada. “Os novos bairros devem ser abertos, integrados com a cidade e com uma maior quantidade de áreas verdes. Precisamos ter mais praças, mais gramas. Franca tem um solo ruim e a expansão da cidade diminui as áreas permeáveis. Isso, se não for pensado, pode se agravar”.
Opinião semelhante tem o economista Elvisney Alves. Para ele, não há como controlar a expansão, por isso defende um crescimento ordenado da população. “Pelo lado econômico, os novos loteamentos são multiplicadores de renda. As pessoas investem para construir uma casa. Mas também é preciso tomar cuidado para não criar bolsões de pobreza e desequilíbrios socioeconômicos com a falta de emprego. Precisamos crescer, mas com os pés no chão”.
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