Ele tem cem anos, duas medalhas, homenagem da Assembléia Legislativa e muitas histórias para contar. O porta-retrato com a foto tirada na capital, durante a Revolução de 1932, com a farda usada é mostrado com orgulho. Dos 700 francanos que lutaram na Revolução, ele é o único vivo. Sem dificuldades para recordar dos momentos que passou lutando em defesa do Estado, Petronilho Teodoro contou para o Comércio algumas passagens da guerra.
Comércio - Quantos anos o senhor tinha na época da Revolução?
Petronilho Teodoro da Silva - Eu tinha uns 23 anos. Eu era trabalhador rural, trabalhava numa fazenda.
Comércio - Por que o senhor quis se alistar?
Petronilho - Fui de espontânea vontade porque eu queria muito defender São Paulo. Eu não concordava com a política do Getúlio Vargas.
Comércio - Por quanto tempo o senhor lutou com a tropa?
Petronilho - Eu entrei depois de três dias que tinha começado a Revolução e saí no fim. Acho que foram uns 80 dias. Eu combati primeiramente em São José do Rio Pardo porque os mineiros queriam tomar São José dos paulistas. Depois, a gente foi para Mococa, dali fomos para uma usina perto de Caconde porque os mineiros queriam desmanchar a usina para invadir São José do Rio Pardo. Cercamos São José do Rio Pardo para eles (os mineiros) não entrarem, tanto que eles não entraram na cidade. Depois combatemos entre Campinas e Limeira e lá finalizou, perdemos o combate. A mineirada entrou e chegou ordem para a gente se retirar e voltar para São Paulo.
Comércio - O senhor levou tiro?
Petronilho - Não, eu não me machuquei e creio que também não matei ninguém. Na hora de atirar eu mirava pra baixo para que se acertasse, pegasse na canela. Na nossa guerra não precisava matar. Não vi muita gente morrer, no nosso pelotão de 34 soldados só morreram dois.
Comércio - Qual a imagem que mais marcou?
Petronilho - Eu lembro de tudo. Eu gostei muito de ter participado da Revolução e gostava dos tiroteios. A gente era muito bem tratado por onde passava. Os fazendeiros ajudavam muito a gente. Teve um que até matou uma novilha de estima para servir de almoço para nós. Quando a Revolução acabou e estávamos no trem para voltar para Franca, um homem na estação gritou “Viva os mineiros!”, eu tirei um punhado de balas que estavam no bolso, da arma que eu tinha usado, e quando o trem partiu eu gritei “Viva os paulistas, seu sem-vergonha” e joguei as balas nas costas dele.
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