Um dia de lembranças


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Julho de 1932. Explode em São Paulo uma revolta contra o presidente Getúlio Vargas. Tropas federais são enviadas para conter a rebelião. As forças paulistas lutam contra o Exército brasileiro durante três meses. O episódio ficou conhecido como a Revolução Constitucionalista de 1932 e, 75 anos depois, as lembranças continuam vivas na memória de Petronilho Teodoro da Silva. Lúcido e com cem anos, tem orgulho de ter lutado durante a Revolução e é o único dos 700 francanos que participaram da batalha ainda vivo. “Eu queria defender o nosso Estado da invasão dos mineiros. Fiquei do começo ao fim da guerra, não levei nenhum tiro e acho que não matei ninguém”. A garra não era só para defender o Estado de São Paulo, era para exigir uma nova constituição para o País. Quando Vargas tomou o poder, em 1930, extinguiu todas as instituições legislativas, desde o Congresso até as Câmaras Municipais. Os governadores dos Estados foram depostos e, para suas funções, ele nomeou militares como interventores. Com isso, os grandes latifundiários de São Paulo e Minas perderam o poder. Vargas deixou a elite paulista ainda mais irritada quando reconheceu oficialmente os sindicatos dos operários, legalizou o Partido Comunista e apoiou o aumento no salário dos trabalhadores. No início do ano de 1932, uma greve mobilizou 200 mil trabalhadores no Estado. Preocupados, empresários e latifundiários paulistas se uniram contra Vargas. No dia 23 de maio foi realizado um comício para reivindicar uma nova constituição para o Brasil, que terminou em conflitos armados. Quatro estudantes morreram: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo. As iniciais de seus nomes formaram a sigla MMDC, o símbolo da revolução. Reivindicando o fim do Governo Provisório, a nomeação de um novo presidente da República, autonomia estadual e, principalmente, uma nova constituição, estourou no dia 9 de julho de 1932 a Revolução Constitucionalista. As tropas rebeldes se espalharam pelas ruas da cidade de São Paulo. A imprensa paulista defendeu a causa dos revoltosos e uma intensa campanha de mobilização foi acionada. O historiador José Chiachiri disse que a Revolução Constitucionalista foi uma das poucas revoluções populares que aconteceram no Brasil. “O povo participou não para defender a oligarquia cafeeira, nem o separatismo, mas para defender um país moderno, um país desenvolvido”. Mas, ao contrário do esperado, São Paulo não teve o apoio dos Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. As tropas civis do Estado, com cerca de 35 mil componentes, enfrentaram cerca de 100 mil soldados do governo. Forças federais utilizaram aviões para bombardear todo o Estado. “Eu atirava naqueles aviõezinhos amarelos que sobrevoavam a nossa tropa. Eu queria ter derrubado um avião”, lembrou Petronilho. Em outubro de 32, após três meses de luta, os paulistas se renderam. A Revolução Constitucionalista de 1932 foi o maior confronto militar no Brasil no século 20. Apesar da derrota, os paulistas conseguiram realizar parte de seus objetivos. Em maio de 1933, Vargas convoca eleições para a Assembléia Constituinte, publicando, em julho de 1934, a terceira Constituição brasileira. NA HISTÓRIA Na época da Revolução, o redator-chefe do jornal Comércio, Antonio Constantino, publicava textos convocando os francanos a se alistarem. Ele fazia discursos inflamados na Praça Barão da Franca explicando o movimento constitucionalista e pedindo que os jovens se alistassem para lutar em defesa de São Paulo. Constantino foi considerado pelo movimento constitucionalista a voz da Revolução em Franca. O gestor de relações corporativas e editor de Opinião do Comércio, Luiz Neto, disse que o jornal foi determinante para motivar centenas de voluntários. “Constantino era um defensor da Constituição e por meio das páginas do Comércio ele transmitia suas convicções. Na época, seus textos eram lidos na rádio Clube Hertz e era conhecido por ter uma voz tonitroante”.

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