Ouvido ontem pela Comissão Especial de Inquérito que investiga o escândalo da licitação do Córrego dos Bagres, o chefe de Gabinete da Prefeitura, José Paschoal Ribeiro, não pensou duas vezes: jogou a bomba para cima da empresa que realizou o projeto técnico da obra de aprofundamento e alargamento do canal, a Betontest Engenharia. Segundo ele, o projeto da Betontest é inviável. “De acordo com o estudo da Emdef, os canos não permitiram o alargamento previsto no projeto da Betontest”.
Baseado em um estudo da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), que analisou a proposta e garantiu que as obras custariam R$ 2,9 milhões, ante os R$ 4,2 milhões previstos pela Betontest, Paschoal afirmou que a Prefeitura contratará uma peritagem para descobrir se houve erro ou má-fé por parte da empresa. “O que sabemos é que os canos da Sabesp impedem o alargamento e o desnível topográfico não permite o aprofundamento naquela direção elaborada pela Batentes”, disse.
Segundo Paschoal, a Prefeitura já está tomando providências para descobrir se houve um erro por parte da Betontest ou se o objetivo real seria superfaturar a obra. “Existe um orçamento feito em profundidade X pela Betontest e outro em profundidade Y pela Emdef. Estamos encomendando um terceiro estudo para sabe quem está certo em seus cálculos”. No restante de seu depoimento, Paschoal, que tem anos de experiência como funcionário do Fórum e já participou de grupos de teatro, mostrou-se impassível. Respondeu à maioria das questões tranqüilamente.
NA JUSTIÇA
Por suspeita de fraude no processo licitatório para as obras com o objetivo de lesar os cofres públicos em R$ 1,2 milhão, o Ministério Público processa, por improbidade administrativa e suspeita de formação de quadrilha e conluio, a proprietária da Betontest, Taísa Franceschi, o engenheiro da Prefeitura e marido de Taísa, Marco Antônio Franceschi, o engenheiro Virgílio Reis, contratado pela Betontest, o proprietário da FFC, José Eduardo Corrêa, o ex-secretário de Planejamento, Wilson Teixeira, e o ex-chefe da Copel, Caetano Perobelli.
SEM CRÉDITO?
Um dos raros momentos de descontração durante o depoimento de Paschoal. Ele pediu para interromper a oitiva e pediu um telefone emprestado. “Não trouxe meu celular”, justificou. O vereador Valter Gomes (PSB) ofereceu seu aparelho celular. Após várias tentativas, desistiu e soltou. “Acho que está sem créditos, vereador”, disse, arrancando gargalhadas. Meio sem jeito, Valter negou, pegou o telefone e discou para Paschoal, que ocupou o aparelho por dois minutos e deu ordens para sua secretária marcar reuniões.
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