Meu querido sobrinho Dr. Rafael Infante Faleiros, que faleceu recente e prematuramente aos quarenta e um anos de idade sempre se revelou um homem de dezoito instrumentos. É difícil a gente achar um que ele não tocava. Isso, no meu entender, se chama genialidade.
Só quem visitou a Academia de Direito que ele inteligentemente idealizou e coordenou durante tantos anos vai saber sobre o que estou falando. Lá estão seus troféus, suas medalhas, seus livros, seus retratos, sua vida tão curta.
Quando me mudei de Franca em 1978, ele ainda era uma criança. De longe pude acompanhar seu crescimento nas conversas com o compadre Arnaldo e a comadre e cunhada Maria Léa, seus pais. E achava que aquele inteligente menininho seria um grande fazendeiro, tal a paixão que ele devotava pela fazenda do pai, na adorada Patrocínio Paulista. E, ao ficar moço, foi um grande fazendeiro sim, ao assumir as rédeas da propriedade, após o falecimento do grande amigo Arnaldo Falleiros.
Revolucionou a rotina da agricultura e da pecuária na região, mas não parou por aí, longe disso. Quis ser advogado, passou no vestibular da Faculdade e se bacharelou com destaque.. Também não parou por aí.
Logo em seguida, prestou concurso para a Magistratura e foi aprovado de cara, virou Juiz de Direito. Seria repetitivo dizer que não parou por aí. E resolveu ser professor na Faculdade de Direito de Franca. Não vou repetir mais, prometo, mas tenho que dizer mais uma vez que ele não parou por aí.
Idealizou e fez funcionar, com um sucesso indescritível, uma Academia de Direito, instalada na conhecida ‘Casa Amarela’, onde atuou com brilhantismo como coordenador e professor (prometi e não repetirei).
Passou a escrever crônicas e editou o livro ‘Crônicas do Juízo’ (continuo sem repetir que ele não parou por aí). Escreveu livros sobre Direito e foi laureado com vários prêmios e homenagens.
Passou a dar palestras por todo o Estado de São Paulo e Minas Gerais, nas Associações Comerciais, Ordens de Advogados e Faculdades. E, agora, ao invés de dizer que ‘não parou por aí’, eu lhes digo, por minha conta e risco: tem mais. Como lá na Academia tem um belíssimo piano e um violão bem afinado, não demoraria nada ele estaria nos maravilhando com alguns concertos nos dois instrumentos. Não chegou a dar concertos, pois Deus o chamou para seu lado, resolveu levá-lo muito cedo. Foi-lhe dado tempo, no entanto, para gravar um CD, com músicas do primo e talentoso artista Moá e letras suas. Com mais um pouquinho de tempo aqui entre nós e ele nos estaria brindando com concertos musicais, tenho certeza.
Em rápidas pinceladas (a emoção me impede de prosseguir), consegui traçar o retrato do meu querido sobrinho Rafael Infante Faleiros, fazendeiro, advogado, Juiz de Direito, professor universitário, cronista, palestrista, escritor, fundador e coordenador de uma exemplar escola e, ao final de seus dias, autor de maravilhosas letras de músicas gravadas em CD. E, como já disse, por minha conta e risco, ele teria sido um brilhante concertista de piano e violão, se não tivesse sido chamado tão antes da hora.
HENRIQUE O. MARCONI é advogado tributarista, pós-graduado na Universidade de Harvard (EUA) e autor de livros.
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