‘Quando tem criança vende mais. As pessoas ficam com dó’


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Rosa (nome fictício) tem sérios problemas de visão (os óculos dela têm 17 graus em cada um dos olhos) e se aposentou por invalidez. O marido cortou o braço e não pode mais trabalhar de sapateiro ou serviços-gerais. Os dois têm quatro filhos de 13, 11, 8 e 7 anos. Para sustentar as seis pessoas da família, resolveram revender apetrechos que compram em lojas de R$ 1 e R$ 1,99 em Franca. Eles costumam vender pelas ruas durante três horas por dia. Ontem pela manhã, Mateus, 8, e Rodrigo, 7, acompanharam os pais passando de casa em casa para vender isqueiros, acessórios de cabelo, agulhas, enfeites e brinquedos. Os outros dois filhos do casal não foram. Um estava na escola e a outra cuidando da casa. Rosa disse que levar os filhos para trabalhar com ela e o marido não é um hábito. “Eles vão de vez em quando. Não pretendo colocar eles na rua não. Fico com dó de andarem no sol quente, judia deles. Vou ver se minha sogra olha eles enquanto vendemos”. Rosa garantiu que os filhos não saíram sozinhos para conseguir dinheiro comercializando as mercadorias. “Estão sempre perto de mim e do pai. Vigio eles. Não separo de jeito nenhum. Sei que não podem sair sozinhos e nem quero isso para eles. É perigoso”, disse a mãe. Ela diz que a venda foi a única forma de ganharem dinheiro. Ela é aposentada por invalidez por causa dos problemas de visão e recebe R$ 380 do governo, além de R$ 94 do programa Renda Mínima. Não soube dizer quanto a venda de apetrechos rende à família. “Varia muito”. Rosa alega que o dinheiro não é suficiente para pagar as despesas como prestação do terreno, água, alimentos e “nem arrumar o telhado que pode despencar a qualquer momento”. Ela disse que vendem mais quando tem criança junto.”Quando os meninos estão presentes ajuda mais na renda. Quando tem crianças vende mais porque as pessoas ficam com dó. Mas não posso explorar meus filhos”.

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