Cabelos, Olho e Dedo


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Nas últimas semanas o noticiário nacional destacou pelo menos três episódios constrangedores e por que não dizer sintomáticos de uma sociedade que se desagrega a cada dia que passa. E não se trata de escândalos envolvendo políticos. Desses a sociedade já está acostumada e de maneira vergonhosa se omite e se acovarda. Falo da violência contra três professoras. Profissionais do ensino. Responsáveis pela formação de brasileiros que serão nossos médicos, nossos advogados, nossos homens públicos, nossos religiosos, nossos líderes, e por que não dizer, de alguma forma, membros de nossa família. É importante que se diga isso, afinal de contas por quem nossos filhos e filhas irão se apaixonar, com quem irão se relacionar e conviver no futuro que se aproxima? As minhas filhas, as suas filhas, os meus filhos, os seus filhos, com quem, e como viverão os próximos 50 anos, neste País por alguns chamado de todos, por outros chamado de tolos? Aos 14 anos um aluno acendeu um isqueiro e colocou fogo no cabelo da professora. Aos 15, um outro aluno agrediu a professora no rosto e na cabeça. Na imagem dos jornais ela aparece com o olho esquerdo roxo, como marca da agressão. Aluno da 4ª. série do ensino fundamental, um terceiro brasileiro decepa o dedo da mão direita de sua professora. Que sociedade é essa? Como você, prezado leitor, tratava sua professora quando tinha 14 anos? Qual a relação que estabelecia com as pessoas mais velhas e possuidoras de conhecimentos que você ainda não tinha? O que falta ao Brasil - ensino ou educação? Noticiar fatos como esses incitam a violência como forma de promoção desses brasileiros ‘di menor’? ‘Outro dia, ele deu uma cabeçada no nariz da vice-diretora, que ficou com o rosto ensangüentado’, diz a professora E.M.S., 47 anos, que teve o dedo decepado pelo aluno em um ‘confronto’ inadmissível para uma sociedade que quer chegar ao patamar de país desenvolvido, potência econômica, turística, energética e tal e coisa. Onde estávamos em 1993, 1994 quando essas crianças nasceram? Onde estivemos nos últimos 15 anos que permitimos que fatos como esses se tornem possíveis e corriqueiros? Não basta indignar-se. Palavras de ordem só surtirão efeito se cumprirmos as ordens. A impressão que se tem é que com o ato de votar transferimos ao Estado a obrigação de resolver todos os problemas que temos inclusive aqueles mais íntimos, produzidos no seio da célula primeira de nossa sociedade. Há de se assumir as responsabilidades. Urge o tempo para que os homens e mulheres de bem desse País percebam e ajam com energia em favor da restauração da família e conseqüentemente da escola, da política, da sociedade. Nem tudo está perdido, muito pelo contrário. Acredito que há uma parcela significativa da sociedade que tem trilhado o caminho do bem, da ética, do conhecimento, da educação. É só preciso dar o primeiro passo. ALEXANDRE HENRIQUE LEONEL é farmacêutico e integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca

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