O mito da falta de água


| Tempo de leitura: 4 min
Afinal, o semi-árido brasileiro precisa, efetivamente, das águas do Rio São Francisco? Esse é um dos pontos centrais de discussão, já que a transposição envolve volume considerável de recursos públicos. Ex-diretor regional do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) e da CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento dos Valores do São Francisco e do Parnaíba), Manoel Bomfim Ribeiro é um dos técnicos que afirmam que o problema na região não é falta de água. Primeiro, as comparações de volume. Em sua opinião, são infundadas as críticas de que as águas desviadas prejudicarão o rio. Anualmente, o Rio São Francisco despeja no Atlântico 100 bilhões de metros cúbicos de água. Apenas as diferenças pluviais, na sua bacia hidrográfica, variam de 10% a 20%, contra de 3% ou 5% que será transferido para o Nordeste. O ponto central que coloca é que a transposição é desnecessária, que a quantidade de água é irrisória, perto do que a região já possui. “O semi-árido não precisa das águas do São Francisco, nem do Tocantins, nem de rio nenhum”, diz. Todo o dinheiro investido na transposição permitirá transportar para o semi-árido apenas 26 m3 de água por segundo, ou 600 milhões de m3/ ano, chuva de uma só noite caída no sertão, 3% do potencial volumétrico já existente nos açudes dos três Estados. A base da água da região está nos açudes. A lógica do açude é ser um pólo hídrico. Através de tubos e adutoras ele deverá chegar às diversas regiões, distribuindo por vilas e cidades. Em um desses típicos projetos brasileiros, construiu-se a maior rede de açudes do planeta, em regiões áridas. Mas faltou distribuição. Hoje em dia há diversos açudes, com 10, 40, 60, 100 milhões de metros cúbicos acumulados, construções caras e pesadas, que poderiam prestar serviços a muitas comunidades, dependendo apenas de um poço tubular, diz ele. Na região, são 70 mil açudes de águas de superfície, entre públicos e particulares, com capacidade para acumular 37 bilhões de metros cúbicos de água - ou seja, mais de 1/3 do que o São Francisco despeja anualmente no Atlântico. 72% desse volume está justamente nos Estados que mais defendem a transposição, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Mesmo exagerando-se, supondo-se 60% de evaporação, restariam ainda 10 bilhões acumulados, suficiente para atender a todos os usos exigidos pelo semi-árido nordestino. Além das águas de superfície, existem águas subterrâneas em diversas bacias sedimentares, como Tucano-Jatobá na Bahia, Moxotó em Pernambuco, Souza na Paraíba, Potiguar (25 mil km ) no Rio G. do Norte,Gurguéia (58 mil km ) no Piauí. São grandes potenciais hídricos ainda inaproveitados e com volumes bem maiores que as águas de superfícies. A água do São Francisco correrá por oito rios intermitentes, tornando-o perenes em um total de mil quilômetros. Se a influência hídrica for de 2,5 km para cada margem, serão 5 mil km2 atendidos, ou 0,5% do Polígono das Secas. “Mas vende-se a idéia de um banho de água no semi-árido”, diz Bomfim. BANCO SAFRA O Banco Safra de Investimentos assinou um termo de compromisso com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em que se compromete a pagar R$ 28 milhões a clientes. O acordo foi assinado para extinguir processo contra o banco com julgamento marcado para 10 de julho. O objeto do processo era a acusação de aplicação automática de saldos de contas correntes dos clientes em fundos de investimento administrados pelo banco Safra de Investimentos. A remuneração era reduzida pela cobrança de taxa de administração variável. O banco se obrigou a pagar aos clientes que tiveram seus recursos aplicados nesse fundo a remuneração média paga por outros fundos de aplicação automática com perfil semelhante que estavam disponíveis no mercado no mesmo período, o equivalente a R$ 28 milhões. O Safra também terá de pagar R$ 1,5 milhão à CVM e se comprometeu a não constituir fundos de investimento similares no futuro. Segundo o presidente da CVM, Marcelo Trindade, esse é o termo de compromisso de maior valor já celebrado pela CVM desde a sua criação, em 1997. CONTAS EXTERNAS Os investimentos estrangeiros diretos apresentaram um forte recuo em maio e totalizaram apenas US$ 501 milhões, o menor valor desde setembro de 2005 (US$ 31 milhões). Em relação a maio do ano passado, a queda foi de 68%. Já na comparação com abril, o recuo é de 85,6%. Apesar da queda registrada em maio, no ano esses investimentos estão maiores que o registrado no mesmo período do ano passado. Entre janeiro e maio, os ingressos somam US$ 10,550 bilhões, um aumento de 66,8%. A previsão é que neste ano o Brasil receba US$ 25 bilhões desses investimentos. Em 2006, elas somaram US$ 18,782 bilhões. A maior parte dos recursos desses investimentos no ano (US$ 8,423 bilhões no ano) refere-se a participação no capital de empresas - compra de ações. Já o investimento de empresas brasileiras no exterior representaram em maio US$ 768 milhões e, no ano, US$ 3,543 bilhões. O saldo está positivo devido à entrada de recursos referente a empréstimos intercompanhias - US$ 935 milhões no mês e US$ 7,181 bilhões no ano.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários