De janeiro a julho deste ano, o Corpo de Bombeiros de Franca atendeu a quatro ocorrências de afogamento. Três pessoas morreram. As mortes expõem um problema que não foi resolvido e pode levar a outros acidentes: existem muitos pontos de risco em Franca, tanto sob a responsabilidade da Prefeitura quanto de proprietários particulares, sem nenhuma segurança.
O Comércio apurou que, em uma cidade cercada por rios e córregos, muito dos locais que oferecem perigo de afogamento não possuem sinalizações ou cercas para alertar os visitantes. É o caso do poço da cachoeira nos fundos do Jardim Portinari, onde um adolescente de 16 anos morreu na terça-feira, o mais recente caso de morte por afogamento. O local continua do mesmo jeito.
Os obstáculos naturais não são suficientes para afastar os curiosos. Trilhas em meio ao mato alto, barrancos, lama e a grande distância entre o asfalto e as cachoeiras parecem não ser problemas para as crianças, adolescentes e adultos que se aventuram por locais propícios a acidentes.
Um exemplo é a cachoeira próxima ao Jardim Aeroporto 2, que fica a cerca de um quilômetro da Rua Coronel Victor Mendonça Ribeiro.
O caminho é bem complicado: mato alto, pedras escorregadias, pequenos riachos para atravessar antes de chegar à grande queda.
Quem é alérgico (os borrachudos atacam mesmo à luz do dia) ou não tem preparo físico não deverá se arriscar. As cercas de arame farpado não impedem a entrada no terreno e placas com sinalização de perigo ou alertando sobre a existência de quedas d’água não existem.
Caio Alexandre da Silva, 13, e Pedro Henrique Silveira, 14, por exemplo, já foram até a cachoeira, mas dizem que não nadaram. “Eu fiquei com medo de entrar na água mas muita gente vem aqui, principalmente no calor”, disse Caio.
Entre o Recanto Fortuna e o bairro Monte Carlo, beirando a rua João Batista Cintra, outro perigo. Uma cachoeira de grande extensão é de fácil acesso, a bela paisagem e a mata densa reúnem os admiradores da natureza, principalmente os praticantes de rapel. No entanto, qualquer descuido pode ser fatal pela grande altura da queda d’água. Não há nenhum alerta.
DENTRO DA CIDADE
O risco, porém, nem sempre está protegido por obstáculos naturais. Algumas áreas são de fácil acesso e quase no Centro da cidade, como o “piscinão” da Avenida Major Nicácio. O poço, formado no local em que seria construída uma garagem subterrânea só foi cercado depois da repercussão que teve a publicação das fotos de Márcia Jerônima Campos, 36. Ela teve que pular na água para salvar seu filho, Gabriel Marcos, 7,que estava se afogando.
Um alambrado foi colocado na parte do terreno localizado na avenida, mas, pela rua de trás, é possível entrar facilmente no local. No poço foram colocadas grades de ferros, mas sem sinalização.
Os bombeiros e a Secretaria de Planejamento não possuem um mapeamento das áreas de risco existentes em Franca. Mas como a reportagem observou em uma rápida visita a alguns locais com ocorrências registradas pela corporação, o perigo é iminente. “Qualquer local pode ser de risco. Se houver descuido, até mesmo a banheira de uma casa pode oferecer perigo”, disse o sargento do Corpo de Bombeiros Victor Manoel de Mattos Andrade.
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