Aos 92 anos, lavrador sonha com vestibular


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O aposentado Joaquim Madureira, de Batatais, mostra a sala de aula onde concluiu o ensino médio; hoje ele receberá o diploma
O aposentado Joaquim Madureira, de Batatais, mostra a sala de aula onde concluiu o ensino médio; hoje ele receberá o diploma
Passar o dia lendo e estudando, com intervalos somente para as refeições e pequenos afazeres. Ao final da tarde, banho, lanche e rumo à escola. Até aí, nada de surpreendente. Não seria nada mais que a rotina normal de milhões de estudantes, não fosse pela idade do aluno em questão. Com 92 anos completos há dois meses, o lavrador aposentado Joaquim Elpídio Madureira recebe hoje, às 19 horas, o certificado de conclusão do ensino médio, na Escola Estadual “Silvio de Almeida” (EESA), em Batatais. Mostrando perseverança e uma disposição que não se vê em muitos adolescentes, seu Joaquim - como é chamado na sala de aula - ratifica a máxima de que “nunca é tarde para estudar”. Depois de voltar aos bancos escolares há seis anos, seu objetivo agora é ingressar em um curso superior. “A vontade de continuar é muito grande”, disse o estudante, falando com orgulho do próprio sucesso. “Veja bem, terminei a quarta série, a oitava e agora o terceiro, sem tomar nenhuma bomba e sem ter nenhuma falta. Quero fazer faculdade sim”. Ele conta que precisou operar os olhos e, nem assim, perdeu um dia de aula sequer. “Esperei o período de férias para poder fazer a cirurgia sem atrapalhar os estudos”, disse. Mas qual carreira escolher? A pergunta, que atormenta a cabeça de muitos jovens, é também a principal dúvida de seu Joaquim no momento. “Ainda não escolhi, estou pensando”. Enquanto pensa, não perde tempo. Ele está entre os alunos inscritos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e deve fazer as provas em agosto. O resultado, quando o aluno tem um bom desempenho, pode auxiliar o ingresso em universidades. Sobre as facilidades e dificuldades na escola, seu Joaquim é enfático: “tudo no começo é mais difícil, depois facilita. Vamos perdendo a vergonha dos professores, perguntando mais e tudo se torna mais fácil”. Para ele, a matemática, vilã de tantos alunos, é a matéria favorita. “A matemática é a melhor coisa que tem. Você soma, subtrai, divide, multiplica e pronto. Não tem erro”. Seu Joaquim brinca que as notas dele sempre foram “controladas” e que nunca tirou uma abaixo de cinco. “Era sempre seis, sete, oito, podia até chegar a cinco, mas, abaixo disso, não”. Ele dividia a classe com outros 39 alunos, a mais nova com 18 anos. Na rotina de seu Joaquim, a leitura é a principal atividade. Ele lê de tudo. “Livros, jornais, revistas, o que me der eu estou lendo”, disse.

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