Lavrador aposentado de Batatais, Joaquim Elpídio Madureira, 92, nasceu em Rio Antônio, na Bahia, e logo cedo começou a ajudar os pais no trabalho rural. Quando criança, não teve a oportunidade de estudar. Só foi alfabetizado quando teve aulas na Escola Rural da Fazenda Santa Luzia, em Altinópolis.
Ele é viúvo e pai de quatro filhos. Entre netos e bisnetos, são mais de 30. A filha mais velha, Vera Alice, que mora com o pai, confirma a paixão pelos livros. “O estudo é a vida dele. Meu pai lê o dia todo. Se parar, não sei o que vai ser da vida dele sem isso”.
Ele conta que voltou aos bancos escolares há seis anos, incentivado pela família, depois que a mulher morreu. Percebendo a vontade do avô, uma neta o matriculou no supletivo.
Para a cerimônia de formatura de hoje à noite, o formando disse fazer questão que toda a família esteja presente. “Está todo mundo aguardando. Vem gente até de Santos e de São Paulo para cá só para assistir”. Os colegas de classe prometem uma homenagem especial e não revelaram para o aposentado.
Quem, assim como Madureira, não teve oportunidade de estudar na idade convencional ou que, por algum motivo, abandonou a escola antes de terminar a educação básica, tem a oportunidade de completar seus estudos, ou mesmo aqueles que não sabem ler e escrever e pretendem ser alfabetizados. Em Batatais, a Escola Estadual “Maria Virginia Mansur Biage” e o Caic (Centro de Atendimento Integral à Criança e ao Adolescente) oferecem aulas pelo EJA (Educação de Jovens e Adultos). Já o ensino médio pode ser cursado em Batatais nas Escolas Estaduais “Silvio de Almeida” e “Cândido Portinari”.
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