25 anos de arte


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É triste comentar, mas não é comum artistas comemorarem tantos anos de existência de seu grupo. O privilégio de se preservar a arte existe na cabeça de poucos. Como diz o ditado: “De grão em grão, a galinha enche o papo”. Verdade. E tanta realidade se casa com a idéia original do Arte e Vida, um grupo que une a temática espírita à arte de “fazer arte”, além da proposta de educar crianças, jovens e adultos. Tudo isto já tem um longo tempo de história: 25 anos, que serão festejados com uma sucessão de apresentações no palco do Teatro Municipal de hoje a domingo. Para os que estão dentro do projeto, é certo que no fundo do peito há uma pontinha de emoção ao ver tantos anos vividos com muita arte - e vida. E para estas pessoas, os encontros semanais - ocorridos sempre aos sábados pela manhã, das 9 às 11 horas - têm um sentido especial. Afinal, é muita gente envolvida em aulas de teatro, canto, artes plásticas, sapateado, dança, desenho e muito mais. “O nosso grupo, que é voluntário e sem fins lucrativos, entrou para o cenário teatral francano”, declara uma das fundadoras do grupo, a professora universitária Eneida Gomes Nalini, de 38 anos. O grupo Arte e Vida começou com uma idéia simples: a de ensaiar espetáculos espíritas que fossem apresentados em encontros. “Nesta época, as peças foram Suplício de Judas, Maria de Magdala, Nhô Toti e A Noite de São Bartolomeu Ressonâncias, escritas por César Augusto de Oliveira”, relembra ela. Anos mais tarde, em 1997, sentindo a necessidade de abranger o trabalho, os artistas-educadores criaram o Artevidinha, onde todo o trabalho desenvolvido com os adultos era feito com crianças e adolescentes. “Ele começou com teatro. Depois de seis meses passou a ter outras modalidades, como a dança e hoje tem monitores de várias modalidades. O legal é que a primeira geração do Artevidinha continua no grupo”, conta Eneida. Apesar de tantas boas intenções, a história do grupo Arte e Vida também teve suas peripécias, até o momento de seus membros não encontrarem um bom local para os encontros de sábado de manhã. “Nós começamos ensaiando numa garagem. Depois, passamos um tempo na Escola Pestalozzi e logo nos transferimos para a Fundação Espírita Judas Iscariotes. Depois de um tempo fomos para o CSU (Centro Social Urbano) e há mais de dois anos retornamos para a Fundação”, conta a professora. Sim, os problemas são muitos. Mas não representam nada diante de tanto carinho e apoio daqueles que estão (não totalmente) do lado de fora, que dão ao trabalho um ar positivo. “O nosso propósito é propiciar um espaço educativo, saudável, onde as pessoas tenham a oportunidade de mostrar a sua arte. Temos o apoio de Murilo Paula Souza, que está se formando em Artes Cênicas pela Unicamp (Universidade de Campinas), do ator e diretor Mauro Júnior, que cursa o primeiro ano de Artes Cênicas na Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto), do jovem ator Ricardo Henrique, de Diego Pradella (que hoje faz dança em Ribeirão Preto)... O grupo não serve para formar artistas, e sim pessoas, cidadãos, e o nosso caminho é a arte”, reflete. SEMANA ‘ARTE E VIDA’ Para comemorar o aniversário de 25 anos do grupo, Eneida contou à reportagem que várias apresentações foram preparadas para este fim de semana em Franca. Segundo ela, a festa começa hoje, quando corais convidados e jovens da primeira geração do Grupo Artevidinha se apresentam. “Neste mesmo dia tem o Artevidança, nosso grupo de adultos que trabalha com a dança de salão”, afirma. No sábado, será a vez de várias manifestações artísticas - sapateado, expressão corporal, poesia... - entrarem em cena com o Núcleo de Arte Educação. “Crianças e jovens apresentam o espetáculo Minha Casa, Nossa Terra. Com a ajuda de monitores, os participantes trabalharam este tema e o que resultou será mostrado no sábado”, diz ela. E para fechar, no domingo será apresentado o espetáculo espírita A Estranha Loucura, adaptação do texto de Nazareno Tourinho, encenado pelo Núcleo Arte Cultura, que é o grupo mais voltado para a temática espírita. A peça tem direção de Mauro Júnior, conta com dez atores em seu elenco e tem uma hora de duração. Os eventos, na sexta e no sábado, têm entrada gratuita. Mas no domingo, a entrada custará R$ 10. O Teatro Municipal fica na Avenida Sete de Setembro, 455. Mais informações pelo telefone (16) 3723-9531.

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