Ela é um show. Circula de Fiesta, anda bem vestida, usa salto alto, é boa de conversa, tem os cabelos cuidadosamente pintados de vermelho e os braços cheios de pulseiras. Está sempre de óculos escuros. É a verdadeira madame. Toda a ostentação foi parar na cadeia ontem. Roseli dos Reis Cintra, 43, foi obrigada a colocar um par de algemas em meio às pulseiras. A vaidosa mulher estava fazendo ligações clandestinas em um orelhão público e foi surpreendida pela PM. Autuada em flagrante por furto, não perdeu a pose e disse ser mestre na arte de fazer “gambiarras”. “Se precisar, eu faço né?”
Roseli é mãe de três filhos, separada do marido e diz ser autônoma. Afirma ser funcionária de uma financeira da cidade. No começo da tarde de ontem, abriu um orelhão com uma chave micha na Rua Antônio Bernardes Pinto, Vila Nicácio, e acoplou um fone com adaptador no aparelho público. Fez o chamado “gato”, ou seja, conseguiu um meio clandestino de telefonar para onde e quanto tempo quiser sem pagar nada. “Fui ligar para uma amiga de Divinópolis (MG), que está doente. Não tenho telefone, estou sem dinheiro e o celular não tem crédito. Tá tudo danado”, disse, mais tarde, na delegacia.
A artimanha da mulher foi flagrada por uma testemunha que presta serviços para a CTBC. A Polícia Militar foi acionada e conseguiu deter Roseli nas proximidades. Estava com as chaves falsas e o fone usado para fazer as chamadas clandestinas. Como a acusada não aceitou ser detida, os policiais tiveram que algemá-la.
Conduzida ao 2º DP, Roseli foi autuada em flagrante por furto qualificado pelo delegado Luiz Carlos da Silva. “Ela estava furtando. Este crime é inafiançável na fase policial. Por isso, determinei que fosse recolhida à cadeia de Batatais”, explicou o policial.
Após assinar o auto de culpa, a mulher falou com a reportagem. Entre sorrisos, brincou com policiais e fez piadas da própria situação. Parecia não acreditar que seria presa.
A “madame gambiarra” disse já ter trabalhado em empresas de telefonia, onde teria aprendido a arte de fazer as ligações clandestinas. “Sei fazer isso há muito tempo. Posso até abrir aquelas caixas grandes... Isso que faço não é ‘gato’, se chama ‘bode’”. Animada, contou ter habilidade em outras atividades igualmente ilegais. “Sei fazer de tudo. Um dia cortaram minha luz. Cheguei em casa, quebrei o trem e pus tudo para funcionar. Esses negócios, eu sei fazer. Na parte eletrônica, a gente faz tudo. Gambiarra, é comigo memo (sic)”.
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