Um carcereiro da cadeia do Jardim Guanabara foi preso, ontem, pela policial civil acusado de se aliar aos presos que deveria vigiar. Segundo o delegado seccional, Maury de Camargo Segui, há provas de que ele teria facilitado a entrada de drogas nas celas. Com base nos indícios apurados, a Justiça decretou a prisão temporária do policial por dez dias. Outros funcionários do presídio estão sendo investigados e novas prisões podem acontecer.
A detenção do carcereiro é a primeira medida concreta tomada pela cúpula da Polícia Civil de Franca após o encontro de grande quantidade de drogas e telefones celulares no interior da cadeia. Durante operação-surpresa realizada segunda-feira, a polícia apreendeu 4,8 quilos de maconha e 20 telefones celulares nas celas. Os produtos teriam entrada durante as visitas do fim de semana.
Devido à elevada quantidade, Maury de Camargo entendeu que seria impossível a entrada das drogas sem a participação dos funcionários. O seccional determinou que as circunstâncias fossem apuradas e escalou os delegados Wanir da Silveira e Pedro Luiz Dallaqua para investigarem o caso. Oito presos da cela em que foi encontrada a maconha passaram a noite prestando depoimento.
Juntando o que eles disseram a outras informações apuradas pela investigação - cujo teor não foi divulgado - o delegado seccional decidiu pedir a prisão do carcereiro. “Em decorrência da investigação, reunimos indícios consistentes de que ele (o carcereiro) estava diretamente envolvido com a entrada das drogas, que teve participação”.
Segundo o policial, o mandado foi expedido terça-feira à tarde pelo juiz da Primeira Vara Criminal, Luciano Franchi Lemes. Os promotores Cláudio Escavassini e José Lourenço também teriam se posicionado favoráveis à prisão. O carcereiro foi preso pelo próprio seccional e pelo delegado corregedor, Luiz Carlos Almeida Souza, às 8 horas, quando chegava à cadeia para mais um dia de trabalho. “Se você me perguntar se outros policiais podem ser presos, responderei que sim. As investigações continuam e podem ter outras implicações”, finalizou o seccional.
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