Após amputação, Eliana tenta se adaptar


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Eliana Eugênia lava louças e, aos poucos, tenta ajudar o marido José dos Reis Rodrigues nas tarefas de casa
Eliana Eugênia lava louças e, aos poucos, tenta ajudar o marido José dos Reis Rodrigues nas tarefas de casa
Sentada em uma cadeira de rodas e com uma voz baixa e tímida. Foi assim que Eliana Eugênia da Silva Rodrigues, 34, recebeu o Comércio em sua casa ontem, no Jardim Palmeiras. Eliana foi protagonista de uma tragédia há 44 dias, quando, após ser atropelada, teve suas duas pernas amputadas. Antes do ocorrido, ela trabalhava como sapateira, cuidava da casa, do marido e dos dois filhos - uma menina de 10 anos e um menino de 14. Hoje, sua rotina é diferente e ela depende da ajuda de outras pessoas para fazer praticamente tudo. Algumas coisas até consegue fazer sozinha, como se pentear, lavar louças, tomar banho e se trocar. Nesta semana, está se adaptando e até já varreu a pequena casa onde vive. Vizinhos, familiares e amigos dão força para a mulher se reerguer. O marido cozinha e ajuda a cuidar dos filhos. “Se não fossem meus filhos e meu marido, não sei como conseguiria estar aqui hoje. No dia do acidente, pedi para me matarem, mas foi por causa deles que decidi viver”. Apesar de tentar se reerguer, Eliana conta que não há um dia sequer que passa sem se lembrar da cena no dia do acidente, em especial na filha que acompanhava a ela e ao marido. “Alguma coisa me disse para não deixar minha filha sair do carro. Foi Deus”. O amor dos filhos, a mulher conta que sentiu maior e de maneira diferente nesses 44 dias. “Antes, eu tinha receio de que meus filhos não gostavam de mim, mas agora, que sou dependente deles, percebo o quanto me amam”. Quando o assunto é futuro, ela prefere não planejar. Diz não pensar em nada, já que não sabe quanto tempo dependerá da cadeira de rodas. “Muita gente me fala que ainda vou andar com uma prótese, mas sou de família muito simples, nem sei muito como isso (prótese) funciona. Só fico pensando quando meus filhos casarem e meu netos me virem sem as pernas. Tenho medo de ficar dependente assim para sempre”. Desde o acidente, José dos Reis, marido de Eliana, está sem o carro. Ele trabalha com curtimento de couro e vai para o emprego de bicicleta. Quando precisa levar a mulher ao médico, recorre a parentes e vizinhos. José ganha por mês R$ 850, valor que mal dá para o sustento da família com comida, água e energia elétrica -eles não têm telefone. Como a mulher necessita de cuidados e medicamentos, foi preciso ainda contratar uma funcionária para cuidar de Eliana, ao preço de R$ 380. Quem quiser contribuir com a família, pode enviar doações diversas à Rua Manoel Higino Leal, 1516, Jardim Palmeiras. Com a repercussão do acidente, a família ganhou algumas peças para o conserto do carro, mas ele ainda não está pronto. As cadeiras de rodas e de banho que Eliana utiliza também vieram de doações.

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