O vereador Jepy Pereira (PSDB) utilizou ontem o tempo de pronunciamento a que tinha direito na tribuna da Câmara para fazer violentos ataques pessoais aos jornalistas Corrêa Neves Júnior e Sônia Machiavelli Corrêa Neves, respectivamente, diretor-responsável e presidente do Conselho de Administração do Comércio. Foram 11 minutos de insinuações, provocações e ataques diante de um plenário que, constrangido, não se pronunciou.
Descontente com matérias veiculadas pelo jornal que mostravam a cobrança de uma espécie de “pedágio” de seu assessor parlamentar, retendo parte do salário de seu indicado supostamente para pagar um outro “ajudante”, Jépy Pereira deixou de lado as explicações e as justificativas para seus atos e partiu para o ataque direto aos jornalistas, recorrendo a episódios que nada tem a ver com sua atuação parlamentar, com o caso dos assessores ou com a vida pública para tentar intimidar o Comércio e seus diretores.
Na tribuna, Jepy disse que os jornalistas teriam deixado de “defender a honra da família” ao aceitarem acordo sugerido por advogados para extinguir processos que tramitavam há anos no Fórum de Franca, sem avançar. Nas ações, os jornalistas pediam indenização à rádio Hertz e a um de seus apresentadores por ofensas. Na época dos ataques à família Corrêa Neves, o profissional da Hertz foi afastado de seu programa. “Entendemos que as medidas adotadas pela direção da rádio Hertz naquele momento foram suficientes e adequadas”, disse Corrêa Neves Júnior. Não houve qualquer acordo financeiro para extinção dos processos.
Não foi só. Jépy concentrou a maior parte de seus ataques no diretor-responsável, Corrêa Neves Júnior, a quem reservou diversas insinuações. “Cresça e deixe de ser Juninho”, ironizou o vereador.
Após seu pronunciamento, Jepy tentou justificar suas agressões. “Sempre respeitei as críticas. Mas, se passarem para gozação e brincadeira, não admito. Chamaram-me na primeira página de fanfarrão. Tenho que criticar os proprietários do jornal por terem admitido o acordo”, disse, sem conseguir explicar a relação entre os fatos.
Corrêa Neves Júnior classificou a atitude do vereador como indigna de um homem público. “Jépy Pereira tenta se esquivar das explicações para seus atos da maneira mais torpe possível, partindo para o ataque gratuito e pessoal”, lamenta.
O jornalista confirmou que deve ingressar até amanhã com ações judiciais contra Jepy Pereira. “Não será a primeira vez que vamos interpelar o vereador. O mais absurdo é que diante dos tribunais ou da autoridade policial a coragem de Jepy costuma desaparecer. Da última vez, negou que houvesse nos ofendido e fez elogios ao Comércio e à família. Por aí, mede-se o tamanho de seu caráter e de suas convicções”, disse.
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