O jornalista Gilberto Dimenstein vem prestando um grande serviço à Nação nos últimos anos, através de seu site, www.pensata.com.br, apresenta diversas experiências em Educação e Violência.
O recente fracasso do ensino brasileiro trouxe algumas experiências interessantes para pensarmos em qual Educação queremos para as crianças brasileiras. Será essa Educação que criará os cidadãos que moldarão o país que estamos construindo.
A primeira conclusão é que não basta investirmos em infra-estrutura e salário dos professores somente. Peguemos o CEU, Centro Educacional Unificado, estrela do PT na Prefeitura de São Paulo. Badalados como exemplo e caros, mostrados como uma revolução educacional. Resultado? Nenhum CEU aparece na lista das 50 melhores escolas municipais, avaliadas pelas notas de português e de matemática.
Um estudo do professor Naércio Menezes, da USP, Universidade de São Paulo, questiona se a verba dos CEU não produziria notas melhores caso fosse aplicada na melhoria da rede de pré-escolas. Isso porque os alunos que cursaram a pré-escola, segundo a pesquisa, demonstram melhor desempenho. Ou seja, mais um desperdício de dinheiro público.
O professor descobriu ainda que o uso do computador nas escolas públicas não melhora o desempenho dos alunos, os com acesso à informática tiveram nota 0,03 mais alta, ou seja, nada! O estudo analisou as notas e o perfil socioeconômico de 218 mil alunos do ensino fundamental e médio espalhados em 5,6 mil escolas de todas as regiões do país. Descobriu que o que ajuda o estudante é, entre outros fatores, a escolaridade da mãe, ter freqüentado a pré-escola, a existência de livros em casa e o número de aulas por dia.
Outro exemplo gritante é a Escola da Comunidade, que acolhe as crianças da favela de Paraisópolis, em São Paulo. A mensalidade não sai por menos de R$ 1000 que são pagos totalmente pelo Colégio Porto Seguro, um dos melhores colégios da cidade. O Porto Seguro oferece à Escola da Comunidade seus professores e instalações, aulas de reforço e atividades culturais. Qual o resultado? O desempenho dos alunos da favela é muito pior.
Conclusão? Não basta oferecer boa escola, é preciso envolver e qualificar as famílias, fazer o governo presente, saúde, esporte, renda. Os agentes públicos devem aproveitar tudo que a cidade puder oferecer, sejam cinemas, teatros, parques, museus e empresas.
Com base em dados do IBGE, o professor de Economia do Trabalho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcelo Paixão, constatou que os judeus brasileiros têm um nível de renda, escolaridade e expectativa de vida superior ao dos noruegueses, os campeões mundiais de desenvolvimento humano. A observação das famílias de judeus, japoneses, coreanos e chineses, ensina que é preciso conscientizar os pais para se envolverem no aprendizado dos filhos, para manter nossos alunos estudando mais tempo. Cada escola deve ter alguém treinado para envolver as famílias e a comunidade.
Agora que passou o calor das eleições e o Ministério da Educação confessa que ‘errou’ os resultados da Prova Brasil em 2006, reclassificando São Paulo, que estava em 20º entre as capitais, em matemática e 21º em português (4ª série) e, com atualização, subiu para 12º e que São Paulo é o Estado que possui mais municípios que tiveram nota acima de 8 (11 de um total de 33), todos no interior, podemos reabilitar o projeto paulista da Escola da Família. O envolvimento da família na educação das crianças está mais que provado.
É preciso que políticos e sociedade estejam atentos às experiências para perdurar a exclusão e jogar dinheiro fora.
MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é pesquisador tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano
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