Calçadistas blindam criação contra pirataria de modelos


| Tempo de leitura: 2 min
Salas isoladas, com entrada restrita a pessoas autorizadas e funcionários escolhidos a dedo. Assim têm sido as reuniões de desenvolvimento de novos produtos nas empresas calçadistas de Franca. Vítimas constantes de cópias de modelos, a famosa pirataria, os empresários do setor têm se cercado ao máximo de cuidados para evitar que as informações do que será lançado no mercado ultrapassem os limites do departamento de criação e acabem chegando aos concorrentes. A blindagem contra a pirataria começa com o esclarecimento de funcionários envolvidos nos processos de criação e vai até a adoção de medidas jurídicas, como o registro de patentes, apontado como o meio mais seguro de garantir que o produto não seja copiado ou, se o for, haja ressarcimento. “As linhas com maior saída, como os sapatênis, são as preferidas. O meio mais seguro é buscar a patente da criação”, disse Carlos Oliveira, gerente de desenvolvimento da Yukon. Cansada ter os calçados pirateados, a fábrica passou a patentear todos os modelos tidos como aposta de sucesso no mercado. Apesar da segurança proporcionada, a medida custa caro ao bolso do calçadista. “Investimos cerca de R$ 200 mil ao ano no desenvolvimento de novos calçados, depois precisamos colocar mais R$ 80 mil para patentear os destaques da coleção”. Segundo ele, de 200 modelos lançados por temporada, pelo menos 20% serão alvo de pirataria. Outra estratégia utilizada pelos calçadistas para dificultar a espionagem industrial é colocar no setor de criação funcionários de extrema confiança, que fizeram carreira dentro da empresa, e ter a supervisão de um familiar dos proprietários do negócio. “Temos um ateliê exclusivo e fechamos o desenvolvimento do modelo em, no máximo, cinco pessoas. Se a informação vazar, sabemos que foi um dos envolvidos”, explicou Antônio Maurilio Nunes, diretor comercial da Pipper Calçados. A oferta de incentivos financeiros, cursos de reciclagem e benefícios, como plano de saúde, também são apontados como forma de fidelizar o funcionário, para que ele não a troque pela concorrente, levando com ele as informações sobre as criações. A cópia dos produtos, normalmente, ocorre depois que o sapato foi lançado no varejo. “O interessado vai até a loja, compra um par e o repassa para ser desmontado e fabricado por outra empresa, mas, claro, com materiais inferiores e sem tanta qualidade”, disse Nunes. Para Antônio Paulo Chicaroni, diretor da Albanese, há muitas empresas na busca por um lugar ao sol e as que fazem a cópia de modelos de modo descarado são aquelas que não têm compromisso nenhum. “Eles sonegam imposto, não emitem notas, mudam um ou outro detalhe no calçado e passam a assediar o seu funcionário. Por isso, fazemos um trabalho interno com terceiros e buscamos ter diferenciais no produto, como um couro mais trabalhado ou um solado que ofereça mais conforto. Procuramos sempre estar à frente no desenvolvimento”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários