Falência no ensino e violência escolar


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A violência nas escolas tem crescido em níveis alarmantes e não está mais restrita aos desentendimentos entre alunos. Em nome do modernismo, jovens não respeitam os mais velhos, antes tratados como “senhor” ou “senhora”. O outrora respeitável professor, responsável por conduzir e auxiliar no encaminhamento do grupo sob sua tutela intelectual, foi transformado em refém de alunos que não trazem de casa o mínimo de regra de comportamento humano. As agressões vão desde o menosprezo e rispidez no trato até fatos graves como os de mestres ameaçados com armas ou levaram socos dentro da sala de aula, da professora que teve os cabelos queimados e da outra que o carro foi danificado em represália a uma medida disciplinar. Até as instalações escolares, berços da cultura e da educação do cidadão, que deveriam ser respeitados como lugares de utilidade pública, tornaram-se alvos de vandalismo. É freqüente a sua invasão por saqueadores que, além de roubar as poucas peças de valor ali existentes, ainda destroem móveis e utensílios. Como pontos de alta concentração de jovens, também são alvos de criminosos, principalmente os traficantes, que chegam a atuar até dentro das salas de aula. Os vândalos e criminosos infiltrados são casos de ação policial eficiente. A disciplina do aluno, no entanto, precisa ser restaurada urgentemente através de um regulamento forte, com força de lei, que devolva aos diretores, professores e funcionários os meios para impor a autoridade de seus cargos. Há pelo menos três décadas discute-se qual o melhor método para a escola brasileira, e o setor só tem regredido. Ao mesmo tempo em que se produz milhares de “alfabetizados”, verifica-se que muitos deles não passam de analfabetos com diplomas, pois não são estimulados a estudar e nem avaliados sobre aquilo que lhes é ensinado. E o professor, ganhando salários baixos, é obrigado a trabalhar além de sua capacidade física, em jornadas duplas ou triplas, sem tempo para cuidar da família e fazer cursos de atualização que tornem suas aulas atrativas e eficientes. A escola, na verdade, é só o ponto de explosão de uma cadeia perversa. Famílias que não conseguem estabelecer limites para suas crianças. Professores e métodos que não se impõem e nem são atrativos ao aluno. Resultado: milhares de jovens que, apesar de escolarizados, não têm condições de enfrentar a competição do mercado de trabalho. Em vez de discutir grandes obras de concreto e recorrer à demagogia dos números da “produção educacional”, os governos dos três níveis (federal, estadual e municipal), responsáveis pela derrocada do setor, e a sociedade, devem buscar, com toda pressa, o ponto de equilíbrio há muito perdido. Crianças e jovens não podem continuar assim desassistidos pois, dessa forma, serão os excluídos de amanhã, restando-lhes apenas, como meio de sobrevivência, a informalidade ou o crime. Não é esse o futuro que queremos para o país... TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (APOMI)

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