A pedagoga Sandra Gonzales de Castro, com especialização em deficiência mental, trabalha no Centro de Educação Especial “Descobrindo o Mundo” desde o primeiro ano de instalação do local. São 19 anos acompanhando um trabalho que transforma a vida de crianças especiais e seus familiares. Ela é coordenadora da sala especial da Unifran. “Nossos alunos necessitam de atenção e carinho”. Confira a entrevista abaixo.
Comércio - Com qual objetivo o Centro de Educação Especial foi criado?
Sandra Gonzales de Castro - É um compromisso da Unifran com a comunidade, de contribuir com a socialização de estudantes especiais. A universidade percebeu a necessidade e escassez desse tipo de trabalho e decidiu oferecê-lo.
Comércio - Quem são esses alunos?
Sandra - São crianças e jovens que apresentam comprometimento cognitivo acentuado, têm dificuldade de alfabetização. Fazemos uma preparação para eles virem a ser alfabetizados. Quando começam a apresentar melhorias e percebemos que estão em condições de freqüentar um ensino regular ou sala especial do Estado ou rede particular, os encaminhamos. Essas crianças geralmente são encaminhadas pela Prefeitura para o Centro Especial ou as próprias mães nos procuram. Alguns alunos permanecem aqui, pois não têm como acompanhar o ensino regular.
Comércio - São 19 anos de trabalho. Quais os resultados do projeto na vida dos alunos e familiares?
Sandra - Percebemos uma mudança muito grande nas atitudes deles. Muitos chegam sem limites e agressivos, mas depois de trabalharmos com eles e com os pais, os alunos melhoram.
Acompanhamos crianças que chegaram aqui no rabisco e conseguiram aprender a escrever as vogais, números e traçar outras letras e desenhos. É toda uma construção mesmo, uma descoberta do mundo, como o próprio nome do centro - “Descobrindo o Mundo”. O resultado é grande.
Comércio - E se não fosse esse trabalho?
Sandra - Em Franca, hoje, o atendimento aos alunos especiais é oferecido pela Apae, Caminhar e CEI (Centro de Educação Integrada), mas a partir de 12 anos. Se não existissem essas entidades, essas crianças estariam em sala de aula comum, mas sem adquirir resultados porque são vários alunos na classe e os professores dificilmente conseguiriam atingir os alunos com a atenção de que necessitam. Aqui oferecemos mais atenção por termos menos alunos. Aplicamos as atividades conforme as dificuldades de cada um, seguindo não a idade cronológica, mas a idade mental deles. Sabemos que estamos contribuindo para a melhora das crianças, sim.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.