Emocionado, usuário pede ajuda para deixar drogas


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Valdick (nome fictício) tem 33 anos, dos quais os últimos cinco foram dedicados ao crack. Dependente químico, afirma que tem roubado da própria mãe, nos últimos anos, para sustentar o vício. Ele procurou ajuda ontem no programa Realidade da Vida, de Marcelo Malim, que vai ao ar diariamente às 13 horas na rádio Difusora. Em um relato comovente, contou como as drogas estão destruindo sua vida e pediu ajuda para deixar o vício. “O crack é o fim. Quero voltar a ser o homem que eu sou de verdade”, disse. Através do deputado Gilson de Souza (DEM), Valdick conseguiu uma vaga em uma chácara de recuperação. Ontem mesmo começou os exames clínicos e hoje deve ser internado. Confira abaixo os principais trechos da entrevista exclusiva. Comércio da Franca - Por que você resolveu pedir ajuda? Valdick - Cansei de dar desgosto para minha mãe. É a única pessoa que eu posso contar hoje. Cheguei a um ponto em que perdi minha dignidade. Nunca fui uma pessoa preguiçosa, sempre trabalhei em serviço pesado, mas hoje não adianta mais eu trabalhar, porque tudo o que eu ganho vai para as drogas. Comércio - Há quanto tempo você é usuário? Valdick - Há uns cinco anos uso crack. Mas nos últimos dois a situação tem piorado muito. Além de gastar meu dinheiro, estou pegando o da minha mãe. Fiz empréstimo pra comprar droga, não consegui honrar e ela pagou. Todo mundo desistiu de mim. A única pessoa que não desistiu foi ela. Comércio - E como é dever para traficante? Valdick - Você sabe que vai ter que se virar para pagar. Não tem perdão. E, nessas horas, você acaba recorrendo às pessoas que não desistiram de você, você fica sem-vergonha. É por isso que vim procurar ajuda. Porque não sou uma pessoa sem-vergonha. Comércio - Quando você não tem dinheiro, como faz para conseguir droga? Valdick - Eu vou pra boca, fico lá sentado esperando alguém me convidar para usar. Quando tenho dinheiro, chamo as pessoas, então um ajuda o outro. Comércio - E qual foi o seu recorde? Já passou a noite inteira fumando pedra? Valdick - Isso ai é brincando. Faço sempre. Meu recorde foi quatro noites e quatro dias fumando. R$ 1,5 mil. Foi um acerto de pagamento de quatro anos de serviço. Fui pra casa, tapeei minha mãe e fui para a boca. Comércio - E o que você sente após fumar? Valdick - Você se sente um bicho. Fica com medo, vê polícia onde não tem. Vê vultos, fica totalmente alucinado, é incontrolável. Te dá pânico, você quer ficar escondido e consumir sempre mais. É onde muitas pessoas chegam a overdose, porque você não tem limite para nada. Comércio - Hoje (ontem) é (foi) terça-feira. Ontem (segunda) o senhor fumou crack? Valdick - A noite inteira. Recebi a última parcela do seguro desemprego e gastei os R$ 380 no crack. Minha mãe nem viu o dinheiro. Comércio - Você fala muito da sua mãe. E o seu pai? Valdick - Meu pai é uma pessoa muito correta e trabalhadora, e o que ele passou para os filhos foi a honestidade, não o que estou fazendo. Não recrimino ele, porque é a forma correta de um homem ser. Coisa que eu não venho sendo. Comércio - Você tinha uma companheira, que o deixou por conta das drogas. O que o senhor diria a ela? Valdick - Primeiro peço desculpa por não ter sido o companheiro que deveria. Em segundo, espero que ela, um dia, olhe para mim e veja um homem, o homem que eu sou, porque estou correndo atrás disso. Comércio - Por que o medo da polícia? Valdick - Todo viciado sabe que não vai mais preso. Apanhar para o viciado é normal, vira rotina... A polícia nunca me pegou usando, mas já apanhei. O que pega é o medo de perder a droga. Você sente a dor das pancadas da polícia, mas não se importa. O que você não quer é perder a droga. Comércio - Depois que passa o efeito, você se lembra do que fez? Valdick - É a parte mais complicada. Você se lembra de tudo, se arrepende, entra em depressão...mas a diferença é que você volta a fazer. Comércio - E que você diria às pessoas que estão lendo suas palavras? Valdick - Primeiro, se você tem filho, converse. Se você notou que seu filho está usando droga, não finja que não percebeu, senão ele finge que está te tapeando. Vira um faz-de-conta e, na hora que chega a um certo ponto, não tem mais como ocultar nada. Aí pode ser tarde demais.

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