Ao amigo Jayr


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Esperei por alguns dias a publicação ou a efetivação de alguma homenagem oficial ou não, que destacasse a atuação do meu amigo e tabelião Dr. Jayr Osório de Menezes e, na ausência, resolvi escrever estas linhas porque, inobstante a relação de amizade de pai/irmão que mantive com ele, sua atuação em todos os setores da comunidade me autorizam a colocá-lo como parte da história cartorária, judiciária, política e social de Franca. Dotado de uma grande inteligência, uma enorme clarividência, perspicácia de gênio, mas possuidor de uma humildade digna dos grandes homens, resolveu problemas sérios da cidade assim como em todos os setores onde atuou e ainda tinha tempo para ajudar personalidades da área jurídica e outras da sua comunidade, sem nunca fazer destes fatos uma escada ou mesmo para tirar proveito ou vantagem pessoal. Jayr, ou Jayr do Cartório, se assim me for permitido chamá-lo, foi uma figura central e indispensável no desenvolvimento do judiciário local em todos os seus setores, sendo inclusive o responsável direto pela organização dos cartórios eleitorais em uma época na qual a computadorização era apenas um sonho. Resolvia mesmo todos os problemas daqueles que o procuravam e principalmente das pessoas mais simples, fossem de ordem profissional ou pessoal e tudo com uma dedicação que nem os pais têm para com os seus filhos, afora a inata competência. O pagamento nem sempre existia, mas o dinheiro nunca foi a peça mais importante nem a prioridade em sua vida. Sacrificava tudo, até mesmo a sua permanência no próprio lar em benefício dos outros. Por outro lado, como homem do povo que sempre foi, gostava demais de natação e de carros possantes, embora em época passada desfilasse em um Ford 29 que dirigia com um orgulho que fazia inveja. O mesmo aconteceu com uma perua Rural que ficou famosa. Nunca ninguém viu o Jayr nervoso, resmungando ou ofendendo alguém. Sofria calado quando contrariado ou ofendido, desabafando raras vezes com os seus próximos. Brincalhão, costumava dizer que era de família de coronéis daqueles bravos e matadores, próprio dos Ozório/Menezes. Infelizmente, se algum mal fez, foi somente a si próprio e pagou caro por isto, sem nada reclamar, como era o seu jeito. Muito mais poderíamos falar do Jayr, mas para isso necessitaríamos de muito espaço e tenho a certeza de que ele, em sua humildade, não gostaria disso. Tenho, por fim, de citar a existência na sua vida, da sua esposa Doroti. Sem ela o Jayr que descrevi não existiria. Ela é certamente a grande mulher que existe atrás de todo grande homem. Sacrificou a sua vida para a sustentação do caminho que o marido escolheu. Apagou a sua luz para que a dele brilhasse com mais intensidade. E ele, enfim, aqui na terra fez o que tinha de fazer, sempre à sua maneira e, portanto, bem feito. Que ele descanse em paz junto a Deus que com certeza o chamou para ser o seu escrivão-chefe, até porque acredito que os bons vão e os maus ficam para pagar por seus pecados. À sua família, esposa Doroti e filhos Cristina, Marco e Jairzinho e demais parentes o meu abraço fraterno e os meus agradecimentos porque ele e todos vocês permitiram que eu fizesse parte do rol dos seus amigos. ODORICO ANTÔNIO SILVA é advogado

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