Quem pensa que depois de morto não dará mais despesas à família se engana. Morrer também custa caro. Para se ter idéia, ao enterrar um ente querido é necessário cuidar de gastos como caixão, velório, flores e enterro. Em Franca, os preços de funerais variam de R$ 1,5 mil a R$ 10,3 mil.
Nas seis funerárias existentes na cidade, o preço do caixão mais barato, feito de madeira sem acabamentos, é R$ 450, valor que não dá direito a flores no velório. Se quiser, tem que pagar à parte. Já as urnas funerárias mais sofisticadas e luxuosas possuem madeira nobre e maciça, com alça de ferro fundido, visor total do corpo e forração em cetim com renda. O preço? R$ 6,5 mil. Mas segundo Carlos Alberto de Lima, atendente de uma funerária, não é comum a venda apenas do caixão. “Normalmente cobramos um preço único que inclui o restante dos gastos”.
Na compra de urnas de maior luxo, também são cobradas as despesas com o carro do sepultamento, vasos com flores para o velório, registro de óbito, participação na rádio e no jornal, material de velório como velas, lista de presença, bolachinhas, café e material de limpeza. Além disso, no pacote funerário estão inclusos os preços de uma coroa de flores, com custo médio de R$ 120 a R$ 500, dependendo do tipo de flor e do tamanho da coroa, e a tanatoplaxia (higienização do defunto) com valor médio de R$ 350. Assim os gastos com o caixão e serviços chegam a custar R$ 10,3 mil.
A tanatoplaxia não é obrigatória em velórios curtos, com em média seis horas de duração, mas se o defunto tiver sofrido lesões expostas ou o corpo tiver que viajar durante algumas é necessário fazer um embalsamento no valor médio de R$ 600.
Conseguir um jazigo para fazer o sepultamento também é outro fator que pesa no orçamento. Atualmente em Franca somente o cemitério Parque Jardim das Oliveiras vende espaços. Cada túmulo custa R$ 1.700 reais, com três gavetas. Dependendo da renda, pode-se optar pelo túmulo com duas gavetas no valor de R$ 996.
Nos demais cemitérios, Santo Agostinho e da Saudade, enterram-se apenas os familiares que já possuem túmulos no local ou os que compram direto dos proprietários da família.
Nesse momento tão delicado para a família, fica complicado atentar-se para esses detalhes do funeral. No dia em que perdeu seu cunhado, em novembro do ano passado, a dona de casa Sônia da Silva Meneghetti, 48, não sabia o que fazer para arcar com as despesas do velório. “Estávamos todos sem dinheiro, aí não sabia se pesquisava os preços ou se pedia dinheiro emprestado”, conta ela que diz que a família teve ajuda de amigos de Cristais Paulista, onde morava seu cunhado, mas que os custos do funeral não ficaram por menos de R$ 1,5 mil.
A COMODIDADE
Para não assustar tanto com os altos custos no falecimento de um parente, muitos aderem ao plano funeral familiar. Um dos mais baratos custam R$ 19 por mês e o cliente tem direito a colocar 15 pessoas da família no convênio. “Neste preço, além do caixão, também estão inclusos o cafezinho e algumas flores. O parente será enterrado em um caixão considerado de médio-luxo” disse Vadico Mariano Garcia, atendente da funerária.
Segundo Vadico, obter um plano funerário é uma medida de economia, conforto e comodidade. “Através desse plano, fazemos um funeral completo, com uma urna bonita e a família não tem que se preocupar com nada”.
Pensando nas vantagens do plano, o aposentado Valdir de Oliveira Souza, 57, resolveu se prevenir. Ele comprou um há dez anos. Até hoje não usou, mas afirma que é essencial. “Espero não precisar tão cedo, mas se porventura acontecer algum falecimento na família, ou até mesmo eu morrer, quero deixar tudo pronto, é mais cômodo para todo mundo”, disse Valdir. Ele optou por um plano pelo qual paga R$ 38 a cada dois meses.
Já a estudante Kátia Cristina Mariano, 21, quis logo escolher o caixão que vai usar. Pagando R$ 28 por um plano funerário, ela mesma já foi até a funerária escolher o modelo de seu caixão. “Eu vim saber como será o estilo do meu caixão”, conta ela, que optou por um que possuía uma mensagem bíblica. “Achei esse mais charmoso e ficaria feliz se na hora que eu morrer minha família optasse por ele”.
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