Acerca da inexistência da direita no Brasil


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Falar sobre esquerda ou direita no Brasil é um grande problema porque os termos utilizados nunca são corretos. O PT, por exemplo, é considerado como o exemplo de partido de esquerda. Não raro, especialistas confabulam como se o PSDB fosse representante da direita tupiniquim. Não posso deixar, pois, de comentar um erro conceitual nessa explanação. Nos primórdios, o PT já foi de esquerda. Hoje, não mais. Como 99% dos partidos brasileiros, é de centro e parte, cada dia mais, para a abertura ideológica proporcionada pelo pragmatismo econômico. Já o PSDB nunca foi, nem nunca será, de direita. Ele até utiliza alguns conceitos do liberal humanismo, como a defesa de um Estado mais enxuto e a rede de proteção social, para formalizar sua postura de esquerda. Os conceitos, contudo, são deturpados com o que a esquerda tem de pior: a visão de um Estado provedor. No Brasil, diga-se de passagem, nunca houve um partido genuinamente de direita. E me refiro à direita que fez a Revolução Francesa e a Democracia dos Estados Unidos, firmada nos ideais de igualdade, liberdade e fraternidade. Também nunca houve uma direita que defendesse o Estado Mínimo e a livre iniciativa, com baixa carga tributária. E uma pretensa direita que não defende estes ideais não pode ser, em momento nenhum, direita. Infelizmente, contudo, ser de direita em um País como o Brasil é quase um crime. Assumir-se esquerdista é cult, está na moda. Ser de direita é quase como confessar uma opção sexual diferente ou não gostar de futebol: uma aberração. Em que pesem os preconceitos, pois, e a visão, errada, de que o Brasil foi sempre dominado pela direita, o Estado brasileiro foi muito centralizador, totalmente oposto aos ideais do Estado Mínimo, um dos baluartes direitistas. Se houve um mérito no governo de Fernando Collor, e posteriormente de FHC, foi o inicio das privatizações e a diminuição do tamanho do Estado. Não houve, porém, a respectiva redução de impostos. Não se trata, porém, de uma defesa cega da privatização. Evidente que algumas áreas, quando lucrativas e estratégicas, podem ficar sob a tutela do Estado. É o caso do petróleo e dos recursos naturais, por exemplo. Ainda assim, o setor deve ter regras rígidas e pertinentes à iniciativa privada, como competitividade, qualidade e lucratividade. Nesse caso, ao invés de provedor, o Estado passa a ser gerenciador de um amplo complexo que gera divisas ao País. Privatização, contudo, nunca é maléfica. O exemplo maior é o caso da Vale do Rio Doce. Exceto as negociatas do poder, e talvez o baixo preço pago pelo consórcio vencedor - que merecem ser debatidos - não vejo onde a privatização foi ruim para o Brasil. Sob a iniciativa privada, mas nacional, diga-se, ela tornou-se uma das três maiores indústrias do setor no mundo e emprega oito vezes mais trabalhadores. Em 1996 - um ano antes da privatização - a empresa lucrava U$ 500 milhões. No ano passado, o total foi de U$ 12 bilhões - um incremento de 1100% nos lucros. Mas voltando ao ideário político... se tivesse coragem para implementar adequadamente o estilo liberal, o PSDB seria um grande partido. O mal é justamente a tendência de social democracia, de esquerda, que impregna a legenda e impede avanços. Critica-se muito a direita em nosso país. Mas nunca tivemos direita. Critica-se às vezes por modismo, às vezes por um endeusamento da esquerda, que combateu a ditadura (que não era de direita, diga-se), mas só conhecemos versões torpes de populismo, com inclinações do Estado protecionista. A direita nunca foi isso. E talvez, no Brasil, nunca tenha a chance de ser o que é verdadeiramente em países europeus, como na França, pela oportunidade do exemplo Sarkozy.

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