Cinco mil pessoas são viciadas em drogas ou álcool em Franca


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Viciados caminham na fazenda de recuperação da Associação Pró Reavi. Tratamento inclui oração, trabalho e reflexão
Viciados caminham na fazenda de recuperação da Associação Pró Reavi. Tratamento inclui oração, trabalho e reflexão
O número é dramático. Pelo menos 5 mil pessoas, a maioria jovens, são viciadas em drogas lícitas (álcool) ou ilícitas (maconha, cocaína e outras) em Franca. Para se ter idéia do volume de dependentes químicos na cidade, seria o mesmo que dizer que um, em cada grupo de 64 habitantes, faz uso extremo de tóxicos e bebidas todos os dias. Os dados são do Comad (Conselho Municipal Anti Drogas) e foram confirmados pelas comunidades terapêuticas e demais entidades que atendem dependentes na cidade. Para Maria Rafaela Rodrigues, presidente do Comad, o número é alto, principalmente ao analisar que a drogadição, segundo ela, é um suicídio a longo prazo. “Não vejo a quantidade e, sim, o lado humano. Cada vida é importante, por isso devemos valorizá-la. A droga ceifa a pessoa, tira a autonomia e causa uma morte social”. O relatório vai além e revela que mais da metade dos usuários, apesar de se encontrarem no “fundo do poço”, não reconhece o problema a ponto de procurar ajuda. Atualmente, em oito entidades da cidade, que prestam algum tipo de atendimento na área, somente 700 dependentes passam por tratamento. Do total, 150 em regime de internação. Os demais freqüentam instituições nas quais o trabalho é ambulatorial ou focado em grupos de auto-ajuda. Uma das mais conhecidas é o AA (Alcoólicos Anônimos), um programa baseado em reuniões, diárias ou semanais, de vários alcoólicos com a finalidade de trocar experiências. Em Franca, são nove grupos que recebem semanalmente 250 pessoas. Eliana Justino, presidente da Associação Pró Reavi (Projeto de Restaura Ação de Vidas) e conselheira do Comad, diz que o total de viciados em tratamento poderia ser maior. A falta de conscientização da situação em que se encontram e dos males causados pela dependência seria o maior empecilho. “A pessoa precisa querer o tratamento. Estar disposta a mudar de vida”. Outro problema é a falta de vagas nas instituições. Na Narev (Associação Núcleo de Apoio e Recuperação da Vida), existem hoje 57 internos em tratamento e, de acordo com Daniel José dos Santos, auxiliar administrativo da instituição, 20 pessoas estão na lista de espera por uma vaga. “Estamos no limite da nossa capacidade física, além disso, faltam recursos para a ampliação”. Acrescentam-se a esses fatores, as despesas para a manutenção de interno, que varia de R$ 550 a R$ 900 por mês. O estudo do Comad mostra também que, quando o viciado cumpre todo o tratamento, que varia conforme a instituição, e consegue a chamada graduação, o índice de recaída ainda é grande, cerca de 50%. “Em um grupo de 60 pessoas, 40 alcançam a graduação, mas apenas 20 conseguem a recuperação total”, exemplificou Santos.

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