Com 13 anos, ele conheceu a bebida. Dois anos mais tarde, experimentou maconha pela primeira vez. E gostou. Aos 17, estava na cocaína. A droga era uma válvula de escape para os problemas de convívio familiar. Flávio* tinha dificuldades em aceitar o comportamento e as atitudes do pai.
Após fazer uso de mesclado (uma mistura de crack com maconha), Flávio fez amizade com uma jovem que, em pouco tempo se tornou sua namorada, e, meses depois, noiva. Ela foi responsável por ajudá-lo a sair do vício. Juntos, passaram a freqüentar uma igreja evangélica, ele conseguiu mudar de cargo no emprego e começou a comprar os móveis para montar a casa. “Consegui me afastar das drogas graças a minha noiva, foram dois anos maravilhosos. Mas infelizmente, brigamos e ela me abandonou”.
O jovem não resistiu à separação. Ficou 15 dias com depressão e voltou às drogas. “Dessa vez, foi mais forte. Cheguei ao fundo do poço. Perdi tudo o que construí em três meses”. Atualmente, aos 29 anos, Flávio está em tratamento na fazenda de recuperação da Pró Reavi e se sente feliz com os primeiros resultados. “Me aproximei novamente da minha família, estou aprendendo a enfrentar os problemas de frente”..
De acordo com a assistente social Sueli Soares, que trabalha na triagem de drogados , esse é o perfil do viciado em Franca. “São jovens, muitas vezes até pais de famílias, que começam a enfrentar problemas dentro de casa e não sabem como reagir.
Primeiro partem para drogas lícitas até chegar ao crack, o qual considero mais devastador. Sair deste caminho é um trabalho árduo que precisa de força, coragem e fé”.
* Nome fictício
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