Eles estão por todas as partes. Propagam-se com facilidade pelos quatro cantos da cidade. Brancos, negros, de todas as idades e origens. Uns, mais violentos, outros, nem tanto. Muitos estão presos, mas a maior parte permanece nas ruas. Alguns abandonaram o “serviço”, enquanto outros já morreram. Seja nas cadeias ou em liberdade, uma coisa é certa. Franca está infestada de bandidos.
Impossível precisar quantos, mas o banco de dados da Polícia Civil dá uma dimensão: 7019 criminosos estão cadastrados na DIG (Delegacia de Investigações Gerais), órgão que centraliza as informações das delegacias locais. A cada dia, pelo menos quatro novos criminosos entram para o cadastro.
Em 1998, a equipe do delegado Wanir José da Silveira Júnior decidiu encostar os surrados álbuns fotográficos de papel e passou a digitalizar as informações das pessoas que se envolvem com a polícia na cidade. Fazem parte do banco de dados menores, homens e mulheres com passagens policiais.
O cadastro contém informações detalhadas de criminosos, como dados pessoais, apelido, cor da pele, olhos e cabelo, cicatriz, tatuagem, maneira como age e comparsas. “Esse álbum digital está disponibilizado para todas as unidades policiais de Franca e região. É um trabalho que atualizamos diariamente. A cada dia, uma média de quatro a cinco criminosos entra no nosso sistema.
Temos conseguido esclarecer muitos crimes por meio desta ferramenta. As vítimas comparecem às delegacias e fazem o reconhecimento fotográfico de autores de crimes”.
Há bandidos fichados há mais de 20 anos no banco de dados da polícia. Segundo o delegado Wanir, não é possível apontar o primeiro a entrar na lista, pois a digitalização não obedeceu à ordem de registro. “A maior parte dos integrantes do nosso cadastro cometeu furtos. Esse é o crime que mais acontece na cidade. Há uma grande quantidade também de fichados por roubo, tráfico e estelionato. Muitos são reincidentes e respondem por dois ou três artigos diferentes, ou seja, traficaram, roubaram, furtaram e aplicaram golpes”.
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