O ‘bico’ que faz a diferença


| Tempo de leitura: 3 min
Digitadora durante o dia e modelo à noite, Camila Fernandes, 18, optou por trabalhar em dois empregos para garantir uma graninha extra no final do mês.
Digitadora durante o dia e modelo à noite, Camila Fernandes, 18, optou por trabalhar em dois empregos para garantir uma graninha extra no final do mês.
Levantar cedo, ir para o emprego, trabalhar o mês inteiro em uma jornada média de 48 horas semanais, para, enfim, receber o tão esperado salário. É o suficiente? Nem sempre. Para muitas famílias o dinheiro do pagamento mal dá para os gastos com a manutenção da casa como alimentação, aluguel, água, luz e telefone. Por isso muitos vão em busca de um “bico” e prestam serviços em outras funções para ganhar uma “graninha” extra e reforçar o orçamento. Sapateiro e garçom; cabeleireira e vendedora; contadora e promotora de eventos; professora e secretária. As profissões nem sempre combinam, mas o importante é que, juntas, servem para aliviar as contas no final do mês. A cabeleireira Núbia Maria de Holanda, 22, é uma delas. Ela trabalha oito horas durante o dia em um salão de beleza fazendo depilações e cortes de cabelo. “Entro às 9 horas da manhã e saio às 18 horas”. Quem pensa que depois dessa jornada ela vai para casa descansar, se engana. Com um salário mensal, que varia entre R$ 500 a R$ 650, ela arranjou um jeito de juntar mais uma grana para ajudar no orçamento: vender bombons para estudantes universitários. “Depois que saio do salão, passo em casa, tomo banho e vou direto para casa da minha amiga que confecciona os chocolates”. Às 18h50 ela chega, monta sua mesa em uma calçada próxima à Unifran (Universidade de Franca) e começa a receber sua clientela. “Vendo em média 60 bombons por dia e dá para ganhar uma graninha extra de mais R$ 400 por mês”, disse ela, que comercializa cada bombom por R$ 1,50. Com uma renda total estimada em R$ 1.100, ela diz que se não fosse o ‘bico’ não teria condições de equipar seu salão de cabeleireira. “A renda dos bombons é essencial. Com o dinheiro eu pago as contas e compro itens para repor os gastos do salão”. Também em busca de um reforço no fim do mês, o sapateiro Dinaldo Soledade Garcia, 26, optou por trabalhar em dois empregos. Registrado há cinco anos em uma fábrica de calçados como acabador de amostras, ele sentiu a necessidade de procurar um ‘bico’. “O salário de sapateiro é muito baixo e os R$ 650 que ganho não são suficientes para a manutenção da minha casa”. [FOTO2] Procurou então uma empresa de buffet e trabalha como garçom pelo menos três vezes por semana. “Tem épocas que trabalho mais dias ainda, principalmente em festas de final de ano”, disse ele, que ganha R$ 40 por noite, o que no fim do mês dá um rendimento médio de R$ 400. Segundo o advogado Edinaldo Ribeiro do Nascimento, 48, que atua na área de Direito do Trabalho em Franca, qualquer pessoa pode trabalhar em duas empresas ao mesmo tempo, desde que um horário não prejudique o outro. “A legislação não proíbe o funcionário de ter vínculos empregatícios em mais de uma empresa”, disse. No caso dos ‘bicos’, que são serviços temporários, ele afirma que profissionais liberais, como a vendedora de bombons Núbia, não têm ligação com uma segunda empresa, portanto não há vínculos empregatícios. Mas se o ‘bico’ nas hora livres é prestado para uma empresa, aí o trabalhador pode exigir os seus diretos como empregado. “Um bom exemplo são os professores que lecionam em mais de uma escola e por isso possuem direitos como funcionários em ambas instituições”. Nesse caso, o profissional pode exigir férias, 13º salário e todos os demais direitos trabalhistas do seu segundo contratante.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários