<p>A reportagem do Comércio da Franca aproveitou a inauguração de uma obra municipal e fez com que o prefeito Sidnei Rocha (PDSB) rompesse o silêncio e falasse sobre assuntos que estão diretamente relacionados a sua função pública. Na noite da última terça-feira, em pé, no portão do Cesum (Centro de Supletivo Municipal a Distância), no Jardim América, que seria reinagurado minutos depois, Sidnei Rocha falou sobre a possibilidade de concorrer à reeleição, mudança de partido e escândalos envolvendo seu governo.</p>
<p><br />O prefeito disse que só deverá sair candidato nas próximas eleições se o deputado estadual Roberto Engler permitir. Segundo Sidnei Rocha, o controle do PSDB na cidade estaria nas mãos do parlamentar. O prefeito negou que esteja negociando sua saída do partido para integrar o PP ou o PMDB.</p>
<p><br />Durante a rápida entrevista, Sidnei também negou que soubesse das irregularidades envolvendo as obras do Córrego dos Bagres, sob investigação na Câmara Municipal e Promotoria de Justiça. Defendeu seu chefe de gabinete e atribuiu todo o escândalo a uma distorção do jornal. Sidnei Rocha sempre foi procurado pelo Comércio para apresentar sua versão dos fatos, mas nunca atendeu à reportagem. Fato que levou o Comércio a procurá-lo durante uma ce-rimônia pública de inauguração. </p>
<p><br />Para encerrar a conversa, Sidnei Rocha anunciou uma “grande obra”,mas não quis entrar em detalhes sobre o que viria a ser este primeiro projeto após as denúncias de irregularidades envolvendo seus subalternos<br />Devido ao tempo escasso, não foi possível aprofundar alguns assuntos que mereciam maior atenção. Confira abaixo a entrevista exclusiva dada pelo prefeito ao Comércio da Franca: </p>
<p><strong>Comércio da Franca - O senhor é candidato à reeleição?<br />Sidnei Rocha</strong> - Não. Nem pensei nisso. Nós só vamos pensar em eleição no ano que vem. Está muito distante. Ainda temos muitas dificuldades para administrar. Tenho trabalhado muito, às vezes até exageradamente, para fazer a Prefeitura andar. Não sobra muito tempo para o lado político. O ano que vem é o ano de eleição e nós vamos discutir e ver como vamos fazer. </p>
<p><strong>Comércio - Mas o senhor é o candidato natural do partido?<br />Sidnei</strong> - Não necessariamente. Eu não tenho maioria dentro do partido. Quem tem quase que a totalidade dos votos é o deputado (estadual) Roberto Engler. Ele que tem o diretório em suas mãos, de forma que eu não tenho a estrutura dentro do partido, por exemplo, para dizer que se eu pretendesse ser candidato estaria garantido. Isso porque eu não tenho os votos suficientes. Os votos do diretório são do deputado Roberto Engler. O candidato será aquele que o deputado quiser. </p>
<p><strong>Comércio - Existem informações de que o senhor estaria se desvinculando do PSDB para ir para o PP. Isso é verdade?<br />Sidnei</strong> - Não, isso não é verdade. Não há nada disso. Agora é um momento que todos os partidos estão se estruturando. Tem pessoas ligadas a mim no PP, muitos amigos ligados a mim no PMDB e em vários partidos. O que está acontecendo é a reorganização dos partidos. Talvez o partido que eu tenha mais amigos seja o PMDB e nem por isso eu estou indo para lá. </p>
<p><strong>Comércio - Faz tempo que o senhor não fala sobre o escândalo dos Bagres. Qual a análise sobre os últimos fatos?<br />Sidnei</strong> - Eu suspendi o processo, na ocasião, para que fossem investigadas as licitações feitas. Aliás, a licitação feita do projeto, porque a outra não chegou nem a ser realizada. Não houve nenhuma ilegalidade, até porque também suspendi para evitar que pudesse haver qualquer problema. E o que foi feito, foi feito. Está feito, e bem feito. Houve muita exploração a respeito, mas, na verdade, aquilo que um administrador sério, correto e honesto deveria fazer eu fiz.</p>
<p>Havia uma dúvida, eu suspendi tudo e abri um procedimento administrativo para apurar. Foi apurado, agora estamos na fase do processo administrativo e a auditoria da Prefeitura que vai dizer o que realmente aconteceu. </p>
<p><strong>Comércio - Sobre as declarações de que o chefe de gabinete (José Paschoal Ribeiro) sabia do problema, o senhor acredita que ele tinha esta informação?<br />Sidnei</strong> - Ele não sabia dos problemas. Essa é a distorção do jornal. Na verdade, todos nós sabíamos da licitação. Tanto é que o prefeito discute várias vezes todos os projetos. E o prefeito e o seu gabinete apertam mesmo. Cobram que a coisa ande. O que estou observando é que nessa cobrança que eu pessoalmente faço e que cobro de meus assessores de gabinete, que cobrem para que as coisas andem, está se tentando se deturpar um pouco, dizendo que das irregularidades a gente sabia. Tanto que quem abriu o processo fui eu, quando tomei conhecimento das dúvidas que tinham.</p>
<p><br /> Sobre o que tenho acompanhado de cobranças que são feitas pelo gabinete, isso se faz mesmo e continuaremos fazendo, porque há a necessidade de se fazer a cobrança para que a Prefeitura ande mais rápido. Senão, nós vamos voltar como era na administração passada, em que todo mundo discutia, não acontecia nada e o dinheiro sumia. </p>
<p><strong>Comércio - Há indícios de que o senhor pediu recursos para a União e para o Estado para a obra dos Bagres mesmo depois do cancelamento da licitação. É verdade?<br />Sidnei -</strong> Não. Tem recursos que ainda estamos esperando das enchentes. A Defesa Civil esteve aqui em Franca na ocasião e nós pedimos recursos. Agora a gente pede recurso sempre, para todo mundo. O problema é sair. O governo federal tem muito dinheiro, mas quer aplicar tudo no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O governo estadual tem os projetos que o (José) Serra está desenvolvendo, muitos deles para vicinais e para a Grande São Paulo. Se sai, a gente faz com verba do governo, se não, a gente tenta fazer com verba municipal. </p>
<p><strong>Comércio - Mas para essa obra específica, houve o pedido?<br />Sidnei</strong> - Deve ter havido. Não tenho certeza, porque toda obra quando planejamos e mesmo quando já a começamos, pedimos recursos para os governos. Porque se vier o dinheiro do governo, a gente usa na obra e depois aquele dinheiro da Prefeitura a gente usa em outro tipo de obra. Inclusive, vai sair uma obra nos últimos dias que vocês vão se surpreender, obra grande que eu pretendo fazer em 90 dias. </p>
<p><br />Se sair ajuda para outras obras, por exemplo, se sair para o Galo Branco, eu não me recordo se foi pedido, a gente dá um jeito de começar naquela região. Mas como eu suspendi a licitação, teríamos que fazer uma outra licitação. Se sair o dinheiro do governo federal ou do estadual, aí eu tenho que fazer a licitação agora e começar mesmo com chuva. O dinheiro da Prefeitura em si eu estou evitando usar lá para não começar com chuva. Mas onde eu puder fazer mesmo com chuva, eu devo abrir licitação e devo anunciar, uma obra grande. </p>
<p><strong>Comércio - Não tem como o senhor adiantar que obra seria essa?<br />Sidnei</strong> - Não, ainda não, porque estão concluindo toda a negociação e para não haver o risco de amanhã o Comércio ou os vários vereadores da oposição, que são dois, começarem a tirar ilações daquilo que nós honestamente estamos tentando fazer. De forma que vamos anunciar na hora certinha. quando estiver tudo certinho, porque há hoje muita exploração. Há uma vontade enorme de se desgastar o prefeito.</p>
<p><br />Você mesmo já perguntou e isso é uma preocupação, claro, se o prefeito é candidato à reeleição. Porque aqueles que pensavam que o prefeito ia ser desgastado, ele não foi. As pesquisas que vocês têm lá mostram que o prefeito está muito bem junto à população. Eu prefiro ir nesta caminhada de seriedade, de honestidade. Falhas existem. Nunca disse que não há falhas. As pessoas falham. Quando a gente percebe que é uma falha mais grave a gente tem que abrir uma sindicância. Se a falha for uma coisa mais simples a gente corrige sem esconder nada. Não há razão de esconder nada, nem da imprensa, nem da oposição. O problema é que a oposição grita demais. Fica de ressaca quando perde feio. Então tem todas essas coisas. </p>
<p><br />Te garanto que não estou perdendo o sono à noite. Estou dormindo tranqüilo, apesar de estar dormindo pouco, porque a minha proposta é fazer algo sério, muito sério. Para ser exemplo para a cidade, para que não volte a errar, como errou muito em um passado recente.</p>
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