A batalha da TV digital


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O grande desafio para a consolidação da TV digital no Brasil será o marco regulatório, que terá que conciliar várias mídias, em torno da televisão e da Internet. Principal porta-voz dos pesquisadores brasileiros, Marcelo Zuffo identifica aí o nó maior. Haverá inevitavelmente uma grande fragmentação no mercado. Se usar telefonia em um dos canais, será possível colocar mais 13 sinais de transmissão de TV para celular. Dependendo de como for definido o espectro de freqüência, haveria espaço para algo como 45 a 485 programas simultâneos. Essas possibilidades deixaram as emissoras da TV em pânico, porque não têm a menor idéia sobre o mo-delo de negócio a ser adotado. Ou seja, não sabem como ganhar di-nheiro com esse modelo. No Japão, havia monopólio na TV. Depois da entrada da TV di-gital, em Tóquio o mercado é disputado por seis a dez emissoras. Na Inglaterra havia o monopólio da BBC. Com a convergência de satélite com TV digital, só em Londres existem 33 canais. A BBC decidiu parar com a parte tecnológica e se limitar a ser uma produtora de conteúdo. No Brasil, prevê Zuffo, assim que houver espaço, será questão de meses ou de um ano para o atual modelo implodir. Para postergar esse momento, a Globo, por exemplo, está defen-dendo um modelo para alta definição, definição standard e celular. Assim ocuparia todo o espectro de onda sem precisar ampliar a programação. A grande disputa ocorrerá no Congresso, nos próximos meses, em torno da regulamentação da lei. Obviamente, dependendo do Ministro das Comunicações Hélio Costa, prevalecerá o modelo desenhado pelas emissoras. O papel de Costa tem sido extraordinariamente parcial. Nos últimos meses, a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) tirou a freqüência do Mackenzie, que era o canal de teste da comunidade científica. Há outros pontos relevantes na implantação da TV digital. O preço da caixa de conversão é outro. Segundo fabricantes de equipamentos, o preço poderá chegar a R$ 800,00, exigindo do governo incentivos fiscais e outras formas de estímulo para chegar ao consumidor final. Segundo Zuffo, na sua forma mais simples o conversor terá um custo de apenas 50 dólares ou, no máximo, de 65 dólares se for para captar a alta definição. A Universidade está trabalhando em um mo-delo com seis ou sete fabricantes nacionais. Se persistirem num preço elevado, Zuffo teme que a invasão chinesa se torne irreversível. Zuffo nega a suspeita de que o Brasil não terá participação relevante no desenvolvimento da nova tecnologia. O Japão desenvolveu o sistema de modulação de sinal ODFM. Por estar entrando agora, o Brasil tem condições de desenvolver um sistema superior, em parceria com os japoneses. A idéia será fundir os dois padrões criando o ISDT (International System on Digital Television), com o objetivo de ser um padrão mundial hegemônico. O trunfo é o mercado interno dos dois países. No mundo existem de 1,5 a 2 bilhões de televisores. Brasil e Japão, em conjunto, têm 10% desse mercado. Ipiranga A proposta do grupo Ultra, de trocar as ações de minoritários da Petróleo Ipiranga por ações do próprio grupo, por uma parcela mínima do valor pago aos controladores, poderá prejudicar 2 milhões de pequenos acionistas. Justamente os contribuintes de fundos de pensão, que eram grandes investidores do grupo Ipiranga. Não há confiança de que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) irá barrar a proposta. Fundos de ações Alguns fundos de ações estão turbinando vergonhosamente sua carteira, para registrar valorizações artificiais. Compram ações de empresas quebradas, pagando centavos. Depois conseguem elevar o preço a poucos reais. Como o valor anterior era quase pó, passam a impressão de uma super-valorização da carteira, que é utilizada para atrair incautos. Esse tipo de jogada está ficando cada vez mais comum no mercado. BC e crescimento O Banco Central revisou para cima a expectativa de crescimento do PIB em 2007. Há anos, o BC pratica essa esperteza. Começa o ano com expectativas elevadas de crescimento. Quando ingressa no segundo semestre, as expectativas vão sendo progressivamente desinfladas. Terminado o ano, o PIB cresce bem menos que as expectativas. Mas recriam-se novas expectativas para o ano seguinte. E a peça sempre pega. CVM A provável indicação de Maria Helena Santana para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) poderá pôr fim a um longo predomínio de grandes escritórios de advocacia cariocas sobre o órgão, em uma promiscuidade que anulou grande parte da eficiência do órgão. Maria Helena foi superintendente de relações com empresas da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), e uma das criadoras do Novo Mercado. Menino-prodígio A história do menino Ranicki Ravelly Russen Souza Rosa, de 7 anos, de Sorocaba, que teve seu nome incluído no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) pela Nossa Caixa, tem todos os indícios de golpe da indenização. Segundo o advogado, desde que teve seu nome incluído na lista, o menino passou a dormir mal à noite e a relaxar nos estudos. "Quero o meu nome limpo", repete o menino. Até parece.

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