Poucos esclarecimentos e muitos desentendimentos marcaram o depoimento do presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), João Marcos Rodrigues, para a CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga fraudes na licitação das obras no Córrego dos Bagres. A oitiva foi realizada na manhã de ontem na Câmara Municipal.
O “barraco” teve início quando o presidente da CEI, o vereador Silas Cuba (PT), questionou Rodrigues sobre as obras de recuperação do canal da Avenida Dr. Carrão. Sempre respondendo de forma rude, o presidente da Emdef, acompanhado do advogado Anselmo Diniz, negou-se a dar informações sobre outra obra que não fosse a do Corrégo dos Bagres. “Eu não tenho condições psicológicas para responder, eu me preparei três dias pra vir a essa CEI e falar de um outro assunto”. Rodrigues também pediu respeito por ter “distúrbios psicológios” e à sua condição de diabético e hipertenso.
Nesse momento, a relatora da Comissão, Graciela Ambrósio (PDT), e o membro Valter Gomes (PSB) acusaram Cuba de fugir do foco da CEI. Com o bate-boca que se formou entre os três vereadores, a oitiva foi suspensa por cinco minutos para que os membros pudessem discutir como o depoimento prosseguiria.
Após a “lavagem de roupa suja”, Silas Cuba voltou ao plenário e leu o requerimento de criação da CEI, que extende a investigação para outros Córregos. Nesse ponto, os membros da Comissão resolveram deixar para debater a situação em outra ocasião, de forma reservada. A sessão continuou normalmente e foi encerrada uma hora após o incidente com uma conclusão: os três membros concordaram que é necessária a contratação de um perito para avaliar os projetos e orçamentos envolvidos na elaboração das licitações de obras de combate às enchentes no Bagres, suspeitas de serem superestimadas em R$ 1,2 milhão.
SEM POSIÇÃO
Barraco à parte, Rodrigues alegou, apesar de ser técnico em construção civil, não conhecer dados específicos sobre as obras da Emdef e nem do estudo feito pelos engenheiros Alexandre Godoi e Alexandre Saia, da autarquia, para o obra que estaria superfaturada. “Os engenheiros podem responder a essas questões.
Eu sou subordinado à Prefeitura, recebi ordens do Gabinete, em uma conversa informal, e atendi sem muitos questionamentos”, disse.
Ele ainda citou o chefe de Gabinete, José Paschoal Ribeiro, como principal interessado em agilizar o término do projeto. Antes dele, o engenheiro afastado da Secretaria de Planejamento Marco Antônio Franceschi, o ex-presidente da Copel (Comissão Permanente de Licitações) Caetano Perobelli, e o ex-secretário do Planejamento Wilson Teixeira também citaram Pachoal.
O chefe de gabinete, por sinal, será o próximo a ser ouvido pelos vereadores, na semana que vem, em data ainda indefinida.
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