A Praça Nove de Julho se transformou numa praça de guerra ontem à tarde. De um lado, ambulantes. Do outro, guardas civis. Os dois grupos entraram em confronto por causa da venda de morangos na área central de Franca. Houve agressão mútua e feridos de ambos os lados. As frutas deram lugar a pauladas e golpes de cassetetes. O resultado foi um vendedor com a cabeça ensangüentada e um guarda com a perna ferida. No fim, os morangos foram apreendidos e os brigões, conduzidos à delegacia.
Confusões entre ambulantes e guardas civis estão se tornando comuns na cidade. Em fevereiro, as partes já haviam entraram em conflito por causa da venda irregular de goiabas na Praça do Itaú. Ontem, no entanto, a situação fugiu ao controle e descambou para a pancadaria. Testemunhas disseram que os servidores municipais usaram de força desnecessária.
Eram 13h30 e três ambulantes vendiam caixas de morangos na Rua General Telles, próximo aos Correios. Foi quando fiscais da Prefeitura chegaram acompanhados de pelo menos seis guardas civis e começaram a recolher os produtos. Os vendedores tentaram reaver as frutas apreendidas, o que provocou a reação violenta. “Os meninos ficaram revoltados e foram tentar retirar os morangos da perua. Nisso, o ambulante que estava na ponta levou uma cacetada na cabeça. Aí, eles (ambulantes) pegaram um pedaço do pau e foram para cima dos guardas. Não sei se a Guarda tem autorização para isso. Acho que estão usando de força bruta”, contou a dama de companhia Eliana Benedito, 41.
O ambulante Welington Moreira Miola, 21, disse que os guardas e fiscais chegaram e foram recolhendo os morangos da carriola. “Eles não falaram nada e foram jogando tudo na Kombi.
Ficamos nervosos, pois pagamos caro pelos produtos. Não estamos roubando, queremos apenas trabalhar. Meu irmão tentou pegar os morangos de volta e foi seguro. Fui tentar tirá-lo das mãos dos guardas e levei um golpe de cassetete na cabeça”.
Welington se dirigiu ao Pronto-Socorro “Doutor Janjão” para medicar a cabeça, que sofreu um corte ao receber a pancada.
Durante a elaboração da ocorrência na delegacia, ainda sangrava e reclamava de dores. Estava com a camisa manchada e com uma toalha tentando estancar o sangue. “Sei que estamos irregulares, mas precisamos trabalhar. Tenho um filho para criar, minha mulher está doente e o aluguel está atrasado. Os caras bateram primeiro. Depois, nós reagimos. Apanhar por quê? Não somos bandidos”.
Segundo os guardas civis, teriam sido os ambulantes os primeiros a partirem para a agressão. Apesar das agressões mútuas, o caso foi registrado no 1º apenas como “desacato”. Ninguém ficou detido.
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