O Centro Vocacional Tecnológico


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Algumas considerações precisam ser feitas sobre o lançamento do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) hoje, em Franca, pelo Ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Vejo como positiva a decisão de não sediar o orgão, cursos ligados à área calçadista. Sabemos da eficiência do SENAI e, no meu entendimento, não é de mais cursos que o setor calçadista precisa, mas vejo vejo um possível equívoco em relação aos cursos – lapidação e alta costura – definidos. Sou tentado a imaginar um órgão voltado para áreas da Eletrônica, Mecatrônica e de Tecnologia da Informação. Parece-me um equívoco imaginar que a juventude esteja motivada a trabalhar com lapidação ou com alta costura. Penso, no entanto, que a definição dos cursos do CVT deveria ter ocorrido a partir de um amplo debate com os setores produtivos (empresários e trabalhadores), dos segmentos econômicos emergentes na cidade. Não sei se ainda há campo para a lapidação. Franca tem perdido sua importância na comercialização de diamantes, brutos ou lapidados. Certifiquei-me disso ao conversar com comerciantes tradicionais e atualizados. O curso de alta costura` parece-me, também, incoerente com a realidade. É indiscutível o crescimento do setor de confecções em Franca, mas não no segmento alta costura. Este nicho não gera empregos em grande quantidade e a formação de especialistas é de longo tempo. Me parece um erro de foco. Calcula-se existir em Franca entre 70 e 80 confecções – e o número só não é mais preciso porque confecções pequenas trabalham na informalidade –, produzindo roupas em grande volume para as classes C e D, e elas sim, geram muitos empregos. Tenho informações que várias dessas confecções, precisam importar mão-de-obra, principalmente mineira, para suas linhas de produção. Assim, correto seria termos um curso que formasse profissionais capacitados para todas a produção e não para alta costura. Sugiro que mais setores sejam ouvidos. Poderiam, por exemplo, conversar com a Poppi e a Ivomaq, empresas tradicionais de máquinas para o setor calçadistas, sobre a possibilidade de desenvolvimento de equipamentos para outras áreas, a partir das linhas de montagem que já existem. Deveriam ouvir também a Cocapec para definir uma estratégia de agregação de mais valor ao café que insistimos em exportar in natura, deixando para outros países o ganho real com a sua industrialização. Nesse momento de mudanças de paradigmas locais e internacionais, precisamos preparar melhor o futuro da cidade. Reconheço no CVT um importante instrumento para isso mas ele deve ser melhor pensado. CASSIANO PIMENTEL é agente de exportação e professor universitário.

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