Com o ‘rabo preso’


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É mais ou menos assim: `eu sei o que você fez no verão passado, mas também no inverno, no outono e na primavera, é claro`. Os políticos devem usar essa fala com os seus pares toda vez que algum escândalo se torna público (que novidade!). Existe um tumor, um câncer maligno, o qual definha dia após dia o que ainda sobrou do que se pode chamar de Estado Brasileiro. Esse tumor tem nome: corrupção. O Senador e Presidente do Senado, Renan Calheiros, está em apuros, todavia, se cair, não cai sozinho. Já ameaça nos bastidores que se algo acontecer desfavorável a ele, vai `abrir o bico`. Já começou a revelar atitudes desabonadoras de alguns colegas. Coisas do tipo: um senador teria viajado com a namorada para os Estados Unidos, tendo as diárias pagas pelo Congresso Nacional; outra: um líder partidário teria uma dívida de 50 milhões com um banco estatal, etc. Aí se explica o terror instalado na cúpula da política brasileira e a intimidação que os senadores sentem em culpar o colega (Viva a Democracia!). Existe um único partido que controla a política, é o PSFB (Partido que Se Ferrem os Brasileiros). Que se danem a ética e a moral. Que as leis existam somente para os que trabalham. Quem é político está acima da Lei. Está acima do bem e do mal. Para quê os regulamentos? Para quê as instruções normativas? Que todos os códigos de ética sejam amontoados e queimados! Brasília é a Ilha da Utopia. Querem-nos fazer crer que, quando elegemos um político, esse irá representar os interesses da população, acima dos interesses pessoais. Inclusive, é princípio que nessa relação o povo é a parte vulnerável, a parte fraca do contrato. Existem leis específicas entre eles. A lei do abafa tudo; do é dando que se recebe; do amarás ao Senhor Teu Deus (o Poder), acima de qualquer coisa e a si mesmo mais que tudo; do cobiçarás a mulher do próximo, o alimento do próximo, a educação, a dignidade e tudo o que se puder tirar do próximo. É assim que funciona. O Senador Jeferson Perez disse recentemente que a ética desse país está de cabeça para baixo. Diria mais, que a ética está como a avestruz, com a cabeça totalmente enfiada num buraco onde não pode ver, nem ouvir os absurdos que se praticam na política. Nunca uma Comissão Parlamentar de Inquérito serviu de suporte para que os investigados fossem punidos. A primeira coisa que se faz quando se instala uma CPI é procurar um relator que seja amigo ou cúmplice do investigado. Nem como medida pedagógica tem qualquer serventia. É tanta tolice que ninguém precisaria assistir aos programas de humor, bastaria sintonizar a TV Senado. Não se pode, nesse caso, saber ao certo quem são os maiores palhaços, se são eles, os políticos, ou os brasileiros que os elegem. Tudo isso desmorona com o `oficial`, implementa a recusa ao `oficial`. Quase todas as instituições perdem o respeito e não poderia ser diferente, sobretudo, porque o noticiário está farto de publicações que desprestigiam o Poder, o político, a ordem jurídica. Sinais dos tempos? Fim de uma era? Ápice e declínio de uma civilização? Impossível não pensar no caráter metafísico que perpassa o fim triste e falido dessa modernidade que nunca pensou o humano de forma complexa. Tanto seccionou o conhecimento que se perdeu. Esqueceu-se de que a máquina humana é viva, é capaz de estratégia, de inventar seus comportamentos tanto na incerteza como na eventualidade. Todo o globo se vê diante de desafios e perplexidades, sobretudo no âmbito político, uma vez que os indivíduos que assumem o Poder não possuem, com raríssimas exceções, capacitação cultural, identitária, emocional, intelectual, capaz de revestí-los de uma capa anticorrupção. Para eles, assumir um cargo público é jogar com o patrimônio que não lhes pertence, mas que os verdadeiros proprietários também não fazem idéia da extensão desse bem. Portanto, é fácil manipular e "negociar` tudo o que é de todos. NADIR A. CABRAL BERNARDINO é advogada, formada pela FDF, pós-Graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental.

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